
Balanço do Ministério Público do Paraná revela que 13 vereadores e ex-vereadores de Curitiba estão sendo investigados por apropriação de salários de funcionários. Destes, oito estão em exercício do mandato e cinco são ex-parlamentares. As investigações estão a cargo da 2ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba. Há indícios também do enriquecimento ilícito de um ex-vereador.
O MP não comenta o assunto.
A Câmara tem 38 vereadores. Hoje, o número de investigados pelo crime representaria 21% dos parlamentares.
OPERAÇÃO “ABAFA”
Na semana passada, revelou-se uma suposta operação “abafa” por parte da Câmara Municipal de Curitiba para proteger parlamentares investigados.
Entre eles estão Rogério Campos (PSC), Thiago Ferro (PSDB), Osias Moraes e Geovane Fernandes (ambos do PTB) e Kátia Dittrich (SD). As chances de que o Conselho de Ética da Casa determine alguma punição são mínimas, segundo fontes do legislativo.
SERIA “LEI DA CASA”
A apropriação indébita seria prática recorrente na Câmara Municipal.
Os funcionários seriam nomeados, sob a condição de devolver parte dos salários aos vereadores. Essa é a informação dominante sobre o tema, especialmente nos corredores da Câmara.
O rastreamento é dificultado porque os parlamentares exigem que o dinheiro seja sacado nos caixas eletrônicos e devolvido em espécie sem identificar o destinatário.
TEMPOS DE DEROSSO
É oportuno lembrar: nos dias em que foi presidida por Paulo Salamuni – coincidência ou não – a Câmara de Curitiba esteve desvinculada de denúncia de escândalos. Agora elas voltam, o que faz lembrar, de alguma maneira, o que ocorreu nos tempos de Cláudio Derosso, cujo “reinado” de duas décadas na Câmara foi marcada pelo nepotismo, fraudes com verbas publicitárias e outras irregularidades levantadas, na ocasião, pela Gazeta do Povo. Bons tempos da GP.
ASSÉDIO MORAL É OUTRA COISA
Atendendo a recomendação do MP, a Câmara de Vereadores de Curitiba lançou nesta semana a campanha “Assédio moral não! Ambiente de trabalho precisa ser legal”. O MP fez a sugestão após chegar ao conhecimento do órgão casos de assédio moral ocorridos no ambiente do legislativo municipal. A medida, no entanto, não abrange os casos de apropriação indébita do salário de servidores.
PRESIDENTE QUER PROVAS
O presidente da Câmara Municipal, Serginho do Posto (PSDB), afirmou que investigará todas as denúncias apresentadas, mas deixou claro que os acusadores devem oferecer provas.
“A Câmara de Curitiba tem vivido dias turbulentos, mas é importante deixar claro que há estabilidade legislativa e administrativa. Os cofres públicos não foram atingidos, a administração dessa Casa não foi atingida”, afirmou.
