Aos amigos comunicadores: só para lembrar que não há nada de novo sob o Sol
eloizanetti@gmail.com – A Casa Bancária dos Fugger – banco de um judeu converso de Lisboa – editava uma publicação regular para informar sobre as possibilidades de investimentos, principalmente no mundo recém – “descoberto”, com destaque para a América do Sul. Este informativo chamava-se Newen Zeytung Auss Pressilant. Em um dos exemplares, há informações sobre um local chamado Cabo do Brasil – que pode ser a atual costa uruguaia. O trecho mais interessante é este:
“Nesse mesmo lugar à beira-mar, souberam daquele mesmo povo que no interior do país existe um povo serrano que tem muito ouro e traz o ouro batido fino à maneira de arnês na fronte e ao peito. O capitão traz também um homem daquela terra que quis ver o rei de Portugal. Diz ele que quer dar notícias ao rei de Portugal de que se acham no país tanto ouro e prata que seus navios não podem carregar.”
Espionagem e o Rio da Prata e uma newsletter foi para em mãos espanholas
Espiões espanhóis infiltrados na corte portuguesa conseguiram, por meio de um assinante, acesso a esse documento – newsletter – e a levaram ao governante espanhol. Foi a partir daí que começou, de fato, a presença espanhola no Rio da Prata, pois os espanhóis queriam recuperar o tempo perdido.
O gargalo da comunicação corporativa – e a edição de uma newsletter para resolver
Tão logo comecei a trabalhar no Boticário como diretor de comunicação, percebi que, na época, não havia um sistema eficiente de troca de informações entre a fábrica e os lojistas — que então somavam 1.100 lojas. Toda e qualquer comunicação parava nas mãos dos distribuidores (em número de 23), que sabotavam o que não lhes interessava comercialmente.
Eu trazia a minha experiência do Bamerindus, onde tínhamos vários sistemas de comunicação entre a matriz, as centenas de agências e os funcionários — que chegaram, em certa ocasião, ao número de 80 mil. Um desses sistemas era um newsletter muito bem escrita e dirigida, com a qual monitorávamos aquele vasto ambiente.
Rompendo barreiras com o “xerox”
Levei o mesmo sistema para o Boticário. Quando mandei fazer mil cópias em xerox de uma comunicação, quase fui linchado pelo administrador, que viu a ação como desperdício: “Onde já se viu gastar tanto xerox?”.
Pular a barreira dos distribuidores e se comunicar diretamente com os lojistas e vendedores foi fundamental para saber como as coisas se passavam entre a administração e as vendas. O tempo mostrou que a boa comunicação entre a matriz e as linhas de frente foi crucial para o sucesso da marca.
Da arqueologia ao imediatismo digital
Hoje, contar isso parece assunto de arqueologia. Os jovens, que têm a comunicação instantânea na ponta dos dedos, precisam saber que newsletters, conceitos e ferramentas de comunicação já são usados há muito tempo.


Eloi Zanetti é escritor, palestrante, especialista em marketing e comunicação corporativa. Contato: eloizanetti@gmail.com
