Bem Paraná e Plural – A eleição do segundo turno para presidente mobiliza muito mais os curitibanos que a disputa pelo governo do Paraná, decidida no primeiro turno. Foi o que mostraram os dois eventos políticos que aconteceram no fim de semana na capital, um em apoio ao candidato do Flávio Bolsonaro (PL) no sábado (17) e outro em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (18), que reuniram milhares de pessoas no Centro da cidade. O engajamento também é percebido nas ruas até com venda de camisetas, bonés e bandeiras dos dois “times”.
Neste domingo (18), milhares de pessoas ocuparam o Centro Cívico de Curitiba em um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em defesa da democracia. A manifestação “Por um Brasil Soberano” teve início na Praça 19 de Dezembro e seguiu em marcha até o Palácio Iguaçu. De acordo com a organização, cerca de 50 mil pessoas ocuparam as ruas do centro.
Além de roupas vermelhas, os manifestantes portavam bandeiras do Brasil e camisetas verdes e amarelas. Durante o ato, trechos de vias próximas à praça e ao Shopping Mueller foram interditados. A caminhada foi feita pela Candido de Abreu.
Mobilização bipartidária
Para o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emerson Cervi, vários fatores explicam a mobilização. “O principal motivo é que um segundo turno mobiliza mais por ser bipartidário de fato. Então, cada um dos lados usará os recursos que tem para tentar manter seu eleitorado mobilizado. A segunda é a pequena diferença nacional. Embora em Curitiba tenha sido grande, as mobilizações nacionais se devem ao fato de o resultado ainda estar aberto”, explica ele.
Cervi lembra que em Curitiba, a Federação do PT fez 197 mil votos somando todos os candidatos da federação e os candidatos do PL fizeram, juntos, na cidade, 159 mil votos. “Então, as mobilizações de rua não são apenas sobre os candidatos a presidente, mas, também, sobre a capacidade de mobilização das lideranças e bases políticas locais de cada lado”.
No primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, em Curitiba, Flávio Bolsonaro (PL) obteve 628.721 votos (57,50%), contra 332.099 (30,37%) de Lula (PT), segundo os resultados da apuração atribuídos ao TSE. O professor não acredita em inversão de posições em Curitiba, apesar da grande manifestação pró-Lula de ontem, porque a vantagem de Flávio Bolsonaro é muito grande na capital paranaense: “Mas, se consideramos o desempenho de 2022, há espaço para Lula recuperar uma parte de votos. Em 2022 ele fez 37% no Paraná, enquanto que no primeiro turno de 2026 ficou em 31%”.
Manifestação pró-Flávio

No sábado (17), a mobilização de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, reuniu lideranças políticas e apoiadores nos três estados do Sul. Os governadores eleitos Sergio Moro, do Paraná, e Luciano Zucco, do Rio Grande do Sul, além do governador reeleito de Santa Catarina, Jorginho Mello, e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD) participaram do ato.
A mobilização também contou com a presença de Carlos Bolsonaro, senador eleito por Santa Catarina, e dos senadores eleitos pelo Paraná Filipe Barros e Deltan Dallagnol, além dos senadores eleitos Marcel van Hattem e Sanderson, representantes do Rio Grande do Sul, além de deputados federais e estaduais e do vice-governador eleito do Paraná, Edson Vasconcelos.
A carreata e motociata em apoio a Flávio Bolsonaro fez uma espécie de roteiro turístico da Operação Lava Jato. Começou no prédio da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou preso e passou pelo prédio da Justiça Federal, no Ahú, onde Moro atuou como juiz federal e conduziu processos da Operação Lava Jato. A programação terminou com um grande ato na Boca Maldita, tradicional espaço de manifestações políticas no centro da capital paranaense.
