Nos Corredores do Iguaçu – e também da Assembleia Legislativa – o clima foi de enterro, incredulidade, correria e até sumiços ao longo da semana. Apesar de antecipada pela maioria das pesquisas, a vitória em primeiro turno do agora governador eleito Sergio Moro (PL) pegou de surpresa equipes do governo Ratinho Junior e de campanha de Sandro Alex (PSD). Muitos estavam confiantes que o “arranque” de Sandro da reta final da eleição – que superou em 1,9% a votação de Requião Filho (PDT) – seria capaz de cavar um segundo turno. Mas não foi o que revelaram as urnas.
Mesmo com alta aprovação e todo o empenho do time de Ratinho Junior, apoio de prefeitos, vereadores, secretários, do apresentador Ratinho, do popular ex-prefeito Rafael Greca (MDB) como vice, o tempo de campanha se provou sendo curto (desde o atribulado anúncio da chapa, em abril) e o nome de Sandro não emplacou. Além disso, lideranças como o próprio deputado Alexandre Curi (REP), presidente da Alep, reconheceram que a polarização nacional se sobrepôs à pauta estadual e fortaleceu os nomes de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Filipe Barros. Não só eles, mas as as maiores votações para o Congresso e a Alep foram do PL e de seus aliados da extrema direita.
Rei morto, Rei posto. Ato contínuo ao anúncio dos vencedores, a equipe de Ratinho se colocou à disposição para viabilizar a transição de governo. Fontes do Blog Politicamente, porém, dão conta que Ratinho Junior viajou e e Sergio Moro está focado em ajudar a campanha de Flávio Bolsonaro. Ou seja, o processo de transição de governo só deve começar após o segundo turno, em 25 de outubro. Os nomes das duas equipes sequer foram definidos: desde o domingo de eleição, Ratinho fez rápidas aparições no Palácio Iguaçu. A perspectiva é que retorne de viagem após o feriado, no dia 15.
Logo na segunda-feira (5), Sandro Alex retornou ao seu programa de rádio em Ponta Grossa. Nos Corredores do Iguaçu, porém, os relatos foram de corre-corre, indefinições e sumiços de ex-secretários que não foram eleitos (nem deram satisfação aos seus times de campanha). Dizem que, desde a transição entre os governos Roberto Requião/Orlando Pessuti e Beto Richa, em 2010, não se via clima parecido.
O que o futuro reserva para os “medalhões” que ficaram sem mandato? Só o tempo dirá. Fato é que, seguindo a linha de Ronaldo Caiado, candidato derrotado do PSD à presidência, a maioria dos nomes ligados a Ratinho Junior se apressaram a declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno com o presidente Lula (PT).
PS: Recomendamos a leitura da análise do Nosso Dia sobre a votação de Cristina Graeml, que ficou em sexto lugar na corrida para o Senado, atrás de Gleisi Hoffmann e Doutor Rosinha, do PT. “O furacão Cristina Graeml, que passou por Curitiba em 2024, perdeu força na capital“.

Curitiba terá Bancada Preta do PT na Câmara Municipal a partir de fevereiro
Assessoria – A Câmara Municipal de Curitiba terá, a partir de fevereiro, uma nova configuração na bancada do Partido dos Trabalhadores: os quatro vereadores da legenda serão negros. Giorgia Prates, Matteus Henrique, Vanda de Assis e Andréia de Lima formarão uma bancada que amplia a presença negra no Legislativo curitibano e representa um marco político para o movimento negro da cidade.
A mudança ocorrerá após Angelo Vanhoni, atual vereador do PT, assumir um mandato na Assembleia Legislativa do Paraná a partir da legislatura 2027-2031. Vanhoni foi eleito deputado estadual nas eleições de 2026. Com isso, Andréia de Lima, suplente do PT, ocupará a cadeira na Câmara Municipal.
Deputados do governo e oposição na Alep falam sobre a próxima legislatura

Alep – O líder do Governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri (PSD), avaliou que as eleições garantiram uma bancada expressiva ao PSD e aos partidos que integram o atual grupo governista. Foram eleitos 14 deputados estaduais pelo partido que, “somados às legendas próximas ao grupo, chegam a 34 parlamentares”. Bakri afirmou que a composição assegura maioria na Assembleia, mas ressaltou que a relação com o próximo governo dependerá da disposição para o diálogo.
“Nós somos a favor do Paraná, sem demagogia nenhuma. O que for de interesse do Paraná, estaremos juntos. É óbvio que vai depender mais do governador eleito do que de nós. É dele o primeiro movimento, se quer conversar com os deputados, com o PSD e com os demais partidos. Nós queremos construir, queremos avançar”, afirmou o parlamentar, reeleito para o quarto mandato.
Bakri também destacou que a LOA, já encaminhada à Assembleia, deverá ser discutida levando em consideração o governo que assumirá o Estado. “Temos que ter essa grandeza, essa institucionalidade de sentar e discutir, porque é o novo governo que vai administrar o Estado. Quando formos discutir o orçamento, certamente o governador eleito Sergio Moro terá seus interlocutores e seus deputados aqui, e nós estaremos à disposição para construir um orçamento que atenda ao novo governo”, acrescentou.
Oposição: O líder da Oposição, deputado Arilson Chiorato (PT), celebrou a ampliação dos partidos que hoje compõem a bancada, que agrega os partidos PT e PDT. O PT elegeu um parlamentar a mais em relação ao pleito anterior, passando de 7 para 8 representantes. O PDT mantém o mesmo número de cadeiras, com 1 deputado.
“Aumentamos também os votos numericamente no Estado, com cerca de 160 mil votos a mais que na eleição passada para deputado estadual e 130 mil votos a mais para deputado federal. São números importantes”, ressaltou Chiorato, sobre os dados do PT. A sigla terá também ampla renovação, com seis novos deputados e apenas dois reeleitos.
Chiorato, que a partir do próximo ano ocupará uma cadeira na Câmara dos Deputados, acredita que os parlamentares realizarão um trabalho de continuidade. “Embora tenhamos sido minoria, fizemos uma oposição muito importante para o Paraná”, ressaltou, apontando a atuação da bancada contra os projetos de privatização da Copel, o programa Parceiro da Escola, entre outros.
Bancada Feminina: Atual líder da Bancada Feminina, a deputada reeleita Mabel Canto (PP) lamentou a redução da representatividade feminina na próxima legislatura. Após atingir o recorde histórico de dez deputadas em 2022, a Alep contará com uma representante a menos a partir do próximo ano.
“A gente fica triste porque perdemos uma cadeira. Nosso propósito era aumentar essa representatividade. Das atuais deputadas, três foram reeleitas e teremos seis novas parlamentares, que com certeza vêm para somar”, afirmou. Segundo Mabel, a intenção é reunir as eleitas em breve para iniciar as discussões sobre a atuação da bancada na próxima legislatura.
