sábado, 9 maio, 2026
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PIO MARTINS ECOA REVISTA INGLESA E DIZ QUE BRASILEIROS SÃO ‘GLORIOSAMENTE IMPRODUTIVOS’

O palestrante, professor José Pio Martins
O palestrante, professor José Pio Martins

Há três anos a revista inglesa “The Economist” publicou uma extensa reportagem sobre o mercado de trabalho no Brasil e sobre a produtividade do brasileiro. Sua análise não era nada favorável. A matéria intitulada “Soneca de 50 anos” deixou claro que o país parou na década de 70 e estaria longe de apresentar índices de produtividade que se equiparem a outras nações como Coreia do Sul e China.

Mais difamada do que lida, a reportagem foi tema da palestra em que o economista e reitor da universidade Positivo, José Pior Martins, abordou o futuro do Brasil após 2018, durante evento promovido pelo Instituto Ciência e Fé de Curitiba no último sábado (19).

PERDA DE TEMPO

Duas frases contidas na reportagem e severamente criticadas por políticos brasileiros serviram-lhe de parâmetro. A primeira delas: “Os brasileiros são gloriosamente improdutivos”. A segunda, dita por um empresário norte-americano com negócios no país: “Basta você aterrissar no Brasil e já começa a perder tempo”.

As declarações podem ferir os brios nacionais, à primeira vista, mas analisadas no contexto da matéria, expressam uma verdade incontornável.

E não são propriamente uma novidade. Dados fornecidos pelo IBGE, no censo de 2010, já comprovavam essa realidade.

O BRASIL ESTACIONADO

A partir da década de 1970, ou seja, há meio século, a produtividade do trabalhador brasileiro estacionou ou até mesmo caiu. Em comparação com países emergentes como Coreia do Sul, Chile e China, esse baixo desempenho é visível. Enquanto a produtividade do trabalho foi responsável por 40% do crescimento do PIB do Brasil entre 1990 e 2012, na China e na Índia o mesmo indicador foi de 91% e 67%, respectivamente.

“Na comparação da hora de trabalho entre Brasil e Estados Unidos, os dados mostram que a produtividade dos norte-americanos é de 52,23 dólares enquanto a do brasileiro é de 11,63 dólares”, diz Pio Martins.

Há fatores que explicam os magros índices de produtividade nacional. O baixo investimento em infraestrutura está entre os primeiros itens citados pelo economista. Há que considerar também a ausência de capital humano. A falta de trabalhadores especializados e o raso investimento no ensino técnico. Inclua-se nesse rol o atraso tecnológico e o desinteresse das empresas na modernização de equipamentos. A cereja do bolo, diz Pio, está relacionada ao governo. “A máquina pública só faz se retroalimentar. Qualquer investimento fora disso é contabilizado como déficit”.

REELEIÇÃO ZERO

Também fizeram parte da mesa de palestrantes do evento, o economista, PhD em Economia, fundador da antiga Estação Business School, Judas Tadeu Grassi Mendes, o ex-diretor-geral da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, e o jornalista e professor aposentado da UFPR Hélio Puglielli.

CAUSAS DA CRISE

Mendes criticou asperamente o setor público brasileiro, apontando-o como uma das principais causas do desequilíbrio das contas no Brasil. Para ele, os R$ 500 bilhões que o país deixa de investir anualmente são destinados a “sumidouros” como a folha de pagamentos do serviço público (R$ 268 bilhões) e as despesas de custeio do governo (R$ 200 bilhões). O economista, que é professor da Cesumar e tem PhD em economia rural, atacou diretamente a classe política e defendeu uma faxina geral no Congresso. “Reeleição zero. Temos que começar de novo”, disse.

NADA DE OTIMISMO

Euclides Scalco fez um balanço de sua longa carreira política e mostrou-se desesperançado com os rumos tomados pela política nacional. “Não tenho a obrigação de ser otimista. Vivi a derrubada de Getúlio Vargas, a queda de Jango, o golpe de 64. Tenho uma longa história. Exerci cargos que vão de vereador a ministro. E confesso: era mais feliz em Francisco Beltrão, como farmacêutico, do que sou hoje”.

FUNDADOR

Scalco foi, em 1995, um dos fundadores do Instituto Ciência e Fé de Curitiba, ao lado de Belmiro e Elizabeth Castor, Hélio Puglielli, Luiz Carlos Martins, Ubaldo Puppi, Newton Freire-Maia, Celso Nascimento, e eu, Aroldo M.G.Haygert, dentre outros.

DE VEREADOR A MINISTRO

Nome paradigmático da vida pública brasileira, Scalco, 86, foi ministro de Fernando Henrique Cardoso, depois de ter chefiado a Casa Civil do Paraná (Governo José Richa) e sido deputado federal. Foi fundador do PSDB.

Começou a vida pública como vereador de Beltrão. Quando universitário, foi um dos jovens que “incendiaram” as ruas do Porto Alegre, em 1954, protestando contra a morte de Getúlio Vargas.

Durante a Constituinte de 1988, Euclides Scalco – gaúcho que se mudou para o Sudoeste do Paraná no final dos anos 1950 -, foi líder e vice-líder do MDB. Teve papel capital na elaboração da Carta, sendo um dos nomes próximos de Ulysses Guimarães.

ESTÁ NO LIVRO

No mais recente livro de fôlego sobre a Constituinte de 1988, Segredos da Constituinte, de Luiz Maklouf Carvalho, Scalco dá seu depoimento sobre um capítulo especial, pouco conhecido, e no qual foi ator relevante: a tentativa de se implantar o parlamentarismo no País.

PARLAMENTARISMO

A proposta parlamentarista partira e fora alimentada por José Sarney. Coube a Scalco recolher a opinião de Mário Covas, numa noite, em São Paulo. Covas estava internado em hospital, recuperando-se de cirurgia cardíaca.

Scalco era parlamentarista.

O então governador paulista foi taxativo: “Não ao parlamentarismo” proposto por Sarney, em que, disse, claramente, não confiar.

O “não” ao parlamentarismo foi transmitido por Scalco a Ulysses Guimarães. E o assunto morreu.

CREDIBILIDADE PERDIDA

Já o jornalista Hélio Puglielli, sabidamente dono de irrestrita e bem montada capacidade crítica, preferiu referendar as afirmações dos que o antecederam, salientando a descrença dos brasileiros em relação aos políticos e reafirmando a necessidade de uma renovação geral que devolva aos representantes públicos um pouco da credibilidade perdida.

Puglielli foi, por 40 anos, editorialista dos jornais O Estado do Paraná, Gazeta do Povo e Jornal Indústria e Comércio, tendo formado gerações de jornalistas na PUCPR e na UFPR. Dirigiu a Fundação Teatro Guaíra.

Na UFPR foi diretor do Departamento de Filosofia.

VÍDEO DA PALESTRA

A palestra contou com a presença de 60 pessoas, a maioria jornalistas e professores universitários, no auditório do campus Mercês da Universidade Positivo (antiga Escola Catarina Labouré). O vídeo da palestra estará disponível no site deste jornalista, nos portais do Diário Indústria & Comércio e da Rádio Banda B, onde a coluna de Murá está hospedada.

Outras informações também podem ser encontradas na página de Aroldo Murá G.Haygert no FaceBook. A coluna é também oferecida a milhares de leitores por meio newsletter enviada diariamente.

Mesa de painelistas: Judas Tadeu Grassi Mendes. Euclides Scalco, Hélio Puglielli e José Pio Martins
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Aroldo Murá e Ricardo MacDonald Ghisi, ex-secretário de governo de Curitiba
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O casal Peter e Ingrid Ter Poorten e Aroldo
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Luiz Fernando Magalhães, Helio Puglielli, Judas Tadeu Grassi Mendes, Pio Martins, Scalco, Cícero Urban e Aroldo
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Eleidi Freire Maia e Cecília Vieira Helm, professoras da UFPR
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José Haraldo Carneiro Lobo, Aroldo, Clovis Arns da Cunha e Cícero Urban, vice-presidente do Instituto Ciência e Fé de Curitiba
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