segunda-feira, 14 setembro, 2026
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Entre feitiços e clichês, Bullock e Kidman continuam irresistíveis

Por Eliaquim JuniorEm 16 de outubro de 1998, estreava nos cinemas Da Magia à Sedução, com Sandra Bullock e Nicole Kidman. Mas, vamos ser sinceros, o lançamento passou longe de definir aquele ano. Em 1998, as Spice Girls estavam no auge, assim como os Backstreet Boys; Ray of Light, álbum icônico de Madonna, chegava às lojas; “Believe”, de Cher, e “My Heart Will Go On”, de Celine Dion, dominavam as paradas; e Titanic continuava levando o planeta inteiro aos cinemas, depois de arrebatar 11 Oscars.

No meio de tudo isso, Da Magia à Sedução não foi exatamente um hit. Não virou fenômeno de bilheteria, passou relativamente despercebido e ainda deixou a crítica sem saber muito bem onde colocá-lo na prateleira da Blockbuster: suspense com bruxas? Comédia romântica? Fantasia? Talvez um pouco de tudo.

A questão, então, é inevitável: se o primeiro filme não foi um sucesso na época, por que ganhou uma sequência? Bem, essa continuação tardia, que agora é moda em Hollywood, nasceu de um sucesso igualmente tardio.

Com o passar dos anos, Da Magia à Sedução virou cult, filme de conforto, daqueles que o público reassiste a rodo e conhece quase como se fosse uma receita de família. As redes sociais fizeram sua parte e ajudaram a potencializar esse fenômeno, além de apresentar o filme a uma nova geração. Quase 30 anos depois, diante do pacote completo — Sandra Bullock + Nicole Kidman + irmãs Owens + casa das bruxas + nostalgia dos anos 90 — ficou difícil para Hollywood continuar fingindo que não estava vendo a oportunidade.

Da Magia à Sedução: Feitiço do Amor (2026) traz as irmãs Owens de volta, agora com uma nova dinâmica familiar. Sally (Bullock) e Gillian (Kidman) têm filhas, interpretadas por Joey King e Maisie Williams. Sally tenta esconder das meninas o gene da feitiçaria, mas Kylie (King) descobre da pior maneira possível a maldição que assombra a família: apaixonando-se por um homem. Bem, se você viu o primeiro filme, já sabe que isso dificilmente termina em um simples jantar romântico.

E, para nossa felicidade, as carismáticas tias, vividas novamente por Dianne Wiest e Stockard Channing, também estão de volta. Elas continuam responsáveis por alguns dos momentos mais comoventes do filme.

A química entre Bullock e Kidman permanece intacta, elas continuam irresistíveis. A dinâmica deliciosa entre as duas é justamente o que faz a gente se deixar enfeitiçar pelo filme. Susanne Bier dirige a produção como se ainda estivesse nos anos 90. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo.

De um lado, a narrativa recupera com competência o espírito de um feel-good movie que dá vontade de rever no sofá várias vezes. De outro, essa fidelidade ao passado cobra seu preço na previsibilidade de algumas cenas-chave, construídas de maneira tão familiar que parecem ter sido retiradas de um catálogo de comédias românticas dos últimos 30 anos. Em muitos momentos, faltou um pouco mais de criatividade.

Um dos acertos é a entrada de Ian Wright (Lee Pace), cujo magnetismo com Bullock é de arrepiar. Sim, Ian aparece para fazer par romântico com Sally. Sim, é clichê. Mas, convenhamos, existem clichês que a gente critica e existem aqueles que a gente secretamente torce para Hollywood continuar entregando. Esse é definitivamente o segundo caso.

Felizmente, Feitiço do Amor é muito mais do que nostalgia embalada para presente. O filme respeita o espírito de seu antecessor e entende que a magia nunca foi realmente o assunto principal. Por trás dos feitiços, maldições e romances, está uma história sobre amadurecimento, recomeços e autoaceitação.

É sobre entender que não adianta passar a vida tentando se proteger daquilo que pode machucar. Em algum momento, é preciso aceitar quem se é, aproximar-se da família e, por que não, dar uma nova chance ao amor.

O Mural do Paraná assistiu à pré-estreia do filme a convite do Shopping Jardim das Américas, Rede Cineplus e Espaço Z.

⭐ NOTA 8/10 ⭐

*Eliaquim Junior é cinéfilo e viciado em café (a ordem é discutível, o vício não). Escreve sobre filmes para justificar o tempo gasto assistindo a eles – e para reclamar com embasamento. Viu 125 filmes em 2025 e segue insatisfeito. Fã assumido de Spielberg e Hitchcock. Jornalista formado, e atua com edição e revisão de textos, mantendo vírgulas no lugar e expectativas altas no cinema.

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