sábado, 9 maio, 2026
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SCALCO DIZ QUE VETO DE COVAS IMPEDIU PARLAMENTARISMO EM 88

Euclides Scalco: para a história; José Sarney: com veto de Mário Covas; Luiz Maklouf Carvalho, o autor
Euclides Scalco: para a história; José Sarney: com veto de Mário Covas; Luiz Maklouf Carvalho, o autor

Se você não se importa com certos erros, não terá dificuldade de encarar o livro “1988: Segredos da Constituinte”, Editora Recorde, de Luiz Maklouf Carvalho – jornalista do Estadão – como obra essencial para entender os bastidores dos 20 meses que antecederam promulgação da Constituição de 1988.

É DO PARANÁ

O erro, no caso (e devem existir outros) identifico de saída, na página 179, na qual Euclides Scalco dá seu depoimento importantíssimo, sendo, no entanto, apresentado como “deputado do PMDB do Rio Grande do Sul, vice-líder e líder”.

Gaúcho de nascimento e criação, Scalco e família mudaram-se para o Paraná nos anos 1950, a partir de quando ele construiu sólida liderança no Sudoeste do Estado, desde Francisco Beltrão. Foi constituinte – e teve outros dois mandatos de deputado federal – pelo Paraná. Foi, depois, um dos fundadores do PSDB e ministro de Fernando Henrique Cardoso.

MUITA AGITAÇÃO

96-livro-1988-inclinadoNo livro de Maklouf, cujo subtítulo é “os vinte meses que agitaram e mudaram o Brasil”, Scalco diz que teve a incumbência histórica dada por Dr.Ulysses, de levar a Mário Covas, então se recuperando de cirurgia cardíaca em São Paulo, a proposta de José Sarney, que lutava pela implantação do Parlamentarismo na Constituição de 1988.

Covas, então líder do PMDB, e a quem Scalco substituía como vice que era, foi taxativo: disse não ao Parlamentarismo “porque não confiava nele”.

Entendia que Sarney não cumpriria a palavra.

DE MADRUGADA.

Revela ainda Scalco que a ida a São Paulo – num avião da FAB cedido pelo então ministro da Ciência e Tecnologia, Renato Archer – foi de noite e voltou a Brasília de madrugada. Estava acompanhado da esposa, dona Terezinha.

– Qual era sua opinião (sobre a proposta Parlamentarista)?

“Eu concordaria”, disse Scalco ao jornalista, garantindo que não tentou demover Mário Covas da posição tomada: “ele era irremovível”.

O assunto morreu, Dr.Ulysses não voltou ao tema.

A urgência que envolvia o assunto era uma só, registrou Scalco: “Dar uma resposta a Sarney”.

PROPRIEDADE PRIVADA

Registro final: o livro tem 503 páginas e contém entrevistas de todos os grandes personagens que viveram os dias da Assembleia Nacional Constituinte. Inclui depoimentos diversos, de militares, autoridades do Executivo, funcionários públicos privilegiados, relatores das comissões, líderes partidários.

PRONTOS PRA GUERRA

A obra tem outras revelações surpreendentes, como a de que havia muita gente armada, com armas contrabandeadas dos Estados Unidos, pronta para partir para a briga. Um dos pontos chaves para o estouro de uma revolta armada seria a hipótese de a Constituição não incluir o direito à propriedade privada. Esse dado é revelado pelo então deputado do PFL da Bahia, José Lourenço.

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