terça-feira, 1 setembro, 2026
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Entre Espaços: Acessibilidade também é projeto

Por Sumi Costa – Pensar acessibilidade apenas como uma exigência técnica ou uma adaptação feita depois que o ambiente está pronto é uma visão que começa a ficar ultrapassada. Em arquitetura e interiores, espaços realmente contemporâneos são aqueles capazes de acolher diferentes pessoas com autonomia, segurança e conforto.

É nesse campo que atua a CAVI Acessibilidade, empresa de Curitiba especializada em acessibilidade arquitetônica e atitudinal. A empresa desenvolve laudos, projetos, consultorias e adequações de ambientes, além de fornecer e instalar soluções como pisos e mapas táteis, barras de apoio, sinalização, alarmes e outros recursos de acessibilidade.

Segundo a fundadora da CAVI, Tatiana Moura, o desafio está em olhar para o espaço de forma integral. “Não adianta pensar apenas em uma rampa ou em um banheiro adaptado. É preciso considerar todo o percurso da pessoa: como ela chega, circula, encontra informações e utiliza aquele ambiente com autonomia.”

A atuação segue referências técnicas como ABNT NBR 9050:2020 e a NBR 16537:2024, mas procura avançar além do cumprimento da norma. Para a CAVI, acessibilidade também está relacionada à experiência, ao desenho universal e à maneira como os ambientes são pensados desde sua concepção. “Quando a acessibilidade entra no início do projeto, ela deixa de parecer uma adaptação e passa a fazer parte naturalmente da arquitetura”, afirma Tatiana.

A lógica vale para residências, hotéis, lojas, restaurantes, escritórios, escolas, universidades e outros espaços de uso coletivo. O objetivo é criar ambientes que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, um princípio que aproxima acessibilidade, arquitetura e bom design.

Quando a casa ajuda a organizar a rotina

Credito: Eduardo Macarios

A arquitetura contemporânea começa a olhar além da estética para criar ambientes que facilitem a vida dos moradores. Organização, funcionalidade e conforto entram no projeto como aliados de uma rotina mais leve, reduzindo pequenas tarefas e decisões do dia a dia. “Não estamos projetando apenas ambientes, mas a vida que acontece dentro deles. Uma boa organização precisa ser intuitiva, porque pequenos ganhos de tempo fazem diferença na qualidade de vida”, afirma Bruno Zanek, CEO da Zanek.

O closet traduz bem essa mudança. Além de armários e espaços para roupas e acessórios, projetos mais completos consideram iluminação, circulação, ergonomia, ventilação e controle da umidade — fator que pode provocar odores, mofo e danos a tecidos e couros. Uma das soluções disponíveis é o HotCloset, desenvolvido pela Hotfloor, que utiliza aquecimento controlado para ajudar a reduzir a umidade e preservar as peças. “É preciso pensar não apenas onde elas serão guardadas, mas também nas condições do ambiente”, explica Euclides Ciruelos, diretor da Hotfloor.

A tendência mostra uma tecnologia cada vez mais discreta, integrada ao projeto e trabalhando nos bastidores para tornar a casa mais eficiente. Iluminação, climatização, automação e controle ambiental passam a antecipar necessidades e simplificar tarefas sem interferir visualmente nos espaços. Para Zanek, esse é também um novo significado do luxo: “Um ambiente sofisticado não é apenas aquele que impressiona, mas aquele em que as escolhas de projeto fazem sentido para quem vai utilizá-lo”.

No mercado de luxo, tempo passa a integrar o valor do imóvel

Pace, da AG7 em Curitiba, é um dos empreendimentos com foco em saúde e bem-estar que compõem a carteira da Zireh Imóveis.

Localização, arquitetura, metragem e acabamento continuam importantes no alto padrão, mas um novo atributo ganha espaço nas decisões de compra: o tempo. Empreendimentos que reduzem deslocamentos, simplificam tarefas e integram bem-estar, serviços e hospitalidade refletem a expansão do wellness real estate. Segundo o Global Wellness Institute, esse mercado chegou a US$ 876 bilhões e pode alcançar US$ 1,8 trilhão até 2030. “O cliente passou a avaliar também o impacto que o imóvel terá sobre sua rotina. O tempo passou a integrar a percepção de valor”, afirma Henry Fukner, sócio-diretor da Zireh Imóveis.

Na prática, academias e spas isolados dão lugar a sistemas integrados, que incluem conforto ambiental, contato com a natureza, privacidade, concierge, suporte doméstico e espaços de recuperação e contemplação. A mudança já aparece tanto em centros urbanos, como Curitiba, quanto em destinos de segunda residência no litoral e na serra. “Para um público com uma rotina intensa, conveniência e tempo disponível podem ser tão valiosos quanto metros quadrados adicionais”, avalia Fukner.

Mercado imobiliário cresce e busca novas fontes de financiamento

Bruno Loreto, fundador da Terracotta Ventures. Crédito: Eneas Gomez

O mercado imobiliário brasileiro dobrou de tamanho entre 2020 e 2025, mas as fontes tradicionais de crédito não avançaram na mesma velocidade. O descompasso, debatido no ADEMI Day, realizado em agosto, em Curitiba, tem levado incorporadoras a buscar recursos no mercado de capitais e a reforçar a gestão financeira e a governança. “É preciso saber ler os momentos, entender os riscos e ter sabedoria para saber a hora de acelerar e a hora de frear”, afirma Maria Eugenia Fornea, presidente da ADEMI-PR, entidade que ampliou em 40% o número de associados no primeiro semestre de 2026. Segundo Bruno Loreto, fundador da Terracotta Ventures, a redução dos recursos da poupança torna essa transição inevitável e exige que os empresários aprendam a conversar com investidores profissionais.

Em apenas dois anos, as novas fontes de recursos passaram de uma participação praticamente inexistente para 14% do Sistema Financeiro da Habitação. Em Curitiba, o desafio é ainda mais evidente: a cidade reúne 1,7% dos trabalhadores formais brasileiros, mas recebeu somente 0,6% dos recursos do FGTS destinados a financiamentos no país no último ano. Embora exista capital disponível, acessá-lo requer preparo: cerca de metade das empresas que procura investidores não chega a uma segunda reunião, geralmente por apresentar informações frágeis, projeções pouco consistentes ou dificuldade para demonstrar a viabilidade do projeto. Para Eduardo Moraes, diretor do BTG Pactual, diversificar as fontes de financiamento será fundamental para ampliar o crédito imobiliário, que permanece próximo de 10% do PIB brasileiro.

Floresta urbana de 23 mil m² ganha novas mudas em Curitiba

Floresta urbana de 23 mil m² em Curitiba será ampliada com novas mudas

Uma área verde com mais de 23 mil m², preservada na região norte de Curitiba, será ampliada com o plantio de centenas de mudas nativas neste sábado, 29 de agosto. A ação integra a Floresta do Futuro, localizada junto ao Lockwood, condomínio horizontal da Paysage Corpal nos Altos do Parque Barreirinha. Clientes, futuros moradores, familiares e amigos participarão do plantio, pensado também para criar uma relação afetiva entre a comunidade e o espaço, que será destinado à cidade.

A preservação da floresta foi definida ainda na concepção do empreendimento e a área não fará parte dos espaços exclusivos do condomínio. “Entendemos que seu valor é maior quando se estende à cidade. Preservar essa floresta, ampliar a vegetação e destiná-la a Curitiba é uma forma de deixar um presente que permanece para além do próprio Lockwood”, afirma Gustavo Barreto, CEO da Paysage Corpal. Localizado a pouco mais de três minutos do Parque Barreirinha, o projeto reúne terrenos de 152 m² a 383,71 m², com arquitetura e interiores do escritório Jayme Bernardo Arquitetos e paisagismo de Daniel Dillenburg.

Exposição revela Curitiba pelo olhar de Romeu Paulo da Costa

Exposição Romeu de Paula

A trajetória de Romeu Paulo da Costa (1924–2014), um dos expoentes da arquitetura moderna paranaense, ganha uma perspectiva menos conhecida na exposição “Romeu Paulo da Costa – O olhar construído”, que abre neste domingo, 30 de agosto, na Casa Romário Martins, em Curitiba. Organizada pelos arquitetos Paula Morais e Fábio Domingos Batista, com curadoria também de Ângela Morais e Mayra Pedroso, a mostra reúne fotografias feitas pelo próprio arquiteto e revela não apenas suas obras, como o Edifício Marumby e a Biblioteca Pública do Paraná, mas também a cidade e as transformações urbanas que despertavam sua atenção. “Ao olhar para aquilo que ele decidiu enquadrar e registrar, encontramos pistas sobre a cidade que estava sendo construída”, afirma Paula.

Curitiba entra no mercado da hospitalidade assistida de longa permanência

Uma parceria entre a incorporadora paranaense CasaSul e o grupo gaúcho São Pietro Sênior começa a movimentar o segmento de hotelaria assistida de alto padrão em Curitiba e região. A CasaSul adquiriu quatro terrenos no Batel, Bigorrilho, Cabral e em São José dos Pinhais para receber empreendimentos voltados a investidores interessados em renda recorrente. “Os terrenos já estão comprados e, em breve, os tapumes vão surgir nos endereços”, adianta André Siniscalchi, CEO da incorporadora.

Pautas e contatos colunaentreespacos@gmail.com

*Formada em Relações Públicas e Jornalismo pela UFPR, Sumi Costa atua em Assessoria de Imprensa desde 1997. Com trajetória consolidada na comunicação institucional e produção de conteúdo, assina esta coluna voltada a projetos criativos, novos produtos, tendências do morar e os bastidores do setor imobiliário.

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