sábado, 9 maio, 2026
HomeMemorialREQUIÃO NÃO USA BLACK-TIE

REQUIÃO NÃO USA BLACK-TIE

Roberto Requião: um vencedor?
Roberto Requião: um vencedor?

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi ameaçado de expulsão do partido.

É uma das piadas que se costuma contar no cafezinho do parlamento sempre que surge uma oportunidade hilária. E o PMDB é hilário. Ouvir que um senador do partido será excluído dos quadros por não obedecer a uma linha do partido que, na prática, não existe e, se existe, é fartamente desobedecida, só pode ser mesmo encarada com deboche. Enquanto Requião e a senadora Kátia Abreu (TO), sofrem ameaças, Renan Calheiros escancara o enfrentamento a Michel Temer e, assim mesmo, sai ileso, sem sequer um arranhão.

AMIGO LEAL DE SI MESMO

Requião tem sido coerente. Foi contra o impeachment de Dilma Rousseff quando o partido adotou posição contrária e, agora, se disse a favor do prosseguimento da denúncia por corrupção passiva contra Temer. É “um amigo de graça” de Lula, um “amigo de boina” da Venezuela e, acima de tudo, um “amigo leal” de si mesmo.

É fiel aos seus princípios, ainda que todos sejam questionáveis. Está no partido desde que ele respondia por MDB (o velho de guerra), e nunca se desfiliou. Há que se enobrecer a fidelidade, ainda que a fidelidade, no PMDB, seja sempre um caso controverso.

ESTANCAR A SANGRIA

O senador Romero Jucá (RR), presidente nacional da sigla, julgou que dobraria Requião se determinasse que se tratava de questão fechada sujeita a reprimenda e punições em caso de dissensão. Se deu mal. Do twitter, palco de suas diatribes, Requião mandou recado. “Estão me perseguindo porque não uso tornozeleira eletrônica”. Foi um chute nos fundilhos de Jucá. Ele logo se apressou a citar suposta menção ao nome do ex-governador do Paraná por um delator. Nada que se compare ao grampo de que Jucá foi vítima e em que dizia claramente: “Temos que estancar essa sangria”. Por sangria entenda-se Lava-Jato. Perdeu o cargo de ministro e virou líder do governo no Senado, função que já havia exercido com zelo também nos governos FHC, Lula e Dilma.

SACO DE GATOS

No Paraná, Requião mantém sua influência. Recentemente, venceu a eleição do diretório municipal de Curitiba, com Rafael Xavier, seu aliado, na presidência.

Não há nada no espectro investigativo da Lava-Jato que diga que o senador um dia será vítima de um processo. O “saco de gatos” partidário insiste, no entanto, em expulsá-lo por conjugar o verbo “desobedecer”, que garantiu a sobrevivência do partido tanto no planalto quanto nos grotões, ao longo dos últimos 52 anos.

BLUE-JEANS

Requião, definitivamente, não usa tornozeleira eletrônica. Nem black-tie. Seu estilo é quase rural. Camisa blue-jeans e jaquetão. E estamos conversados.

Leia Também

Leia Também