Assessoria – Apesar dos avanços no tratamento dos transtornos mentais, a internação psiquiátrica ainda é cercada por estigmas que dificultam o acesso ao cuidado. O medo de “ser internado” faz com que muitas pessoas adiem a procura por atendimento especializado, mesmo quando apresentam sintomas importantes de ansiedade, depressão ou outras doenças psiquiátricas.
Esse receio pode contribuir para que alguns pacientes só cheguem aos serviços de saúde quando o quadro já atingiu maior gravidade. Dados recentes sobre a saúde suplementar brasileira mostram um crescimento nas internações por transtornos de ansiedade nos últimos anos, especialmente entre adolescentes e mulheres jovens, reforçando a importância do diagnóstico e do tratamento precoces.
Para o médico psiquiatra Roberto Ratzke, professor e coordenador da Psiquiatria do Hospital Heidelberg, em Curitiba, combater a desinformação é parte importante do tratamento.
“Quando a população entende como realmente funciona uma internação psiquiátrica, diminui o medo de procurar ajuda. A hospitalização não representa fracasso do tratamento nem perda de autonomia. Ela é um recurso médico utilizado em situações específicas, com o objetivo de proteger o paciente e oferecer um cuidado intensivo durante um período limitado”, explica o médico.
Mito 1: Quem é internado “perde a razão”
Segundo o especialista, esse talvez seja um dos maiores equívocos. “A internação não acontece porque alguém ‘enlouqueceu’. Ela é indicada quando a intensidade dos sintomas impede que o tratamento seja realizado com segurança em casa ou no ambulatório. Cada caso é avaliado individualmente.”
Mito 2: Toda pessoa com ansiedade pode precisar de internação
Não! “A grande maioria dos transtornos de ansiedade é tratada de forma ambulatorial, com acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e, quando necessário, medicamentos. A internação corresponde a uma pequena parcela dos casos.”
Ela costuma ser considerada quando existe sofrimento intenso, incapacidade funcional importante, risco para o próprio paciente ou necessidade de monitoramento contínuo.
Mito 3: A internação dura meses
Outro conceito ultrapassado. “Hoje buscamos internações pelo menor tempo necessário. O objetivo é estabilizar o quadro clínico e preparar o retorno ao tratamento ambulatorial o mais rapidamente possível.” Segundo Dr. Roberto, o foco da assistência moderna é a continuidade do cuidado, e não a permanência prolongada no hospital.
Mito 4: Internar significa que o tratamento anterior fracassou
Nem sempre. “Algumas doenças apresentam agravamentos mesmo quando o paciente está em acompanhamento. Assim como alguém com uma doença cardíaca pode precisar ser hospitalizado em determinado momento, algumas condições psiquiátricas também exigem cuidados intensivos temporários.”
Mito 5: Depois da alta, o tratamento termina
Na realidade, a alta hospitalar representa apenas uma etapa do processo terapêutico. “O sucesso do tratamento depende da continuidade do acompanhamento. Consultas regulares, adesão à medicação quando indicada, psicoterapia e participação da família são fundamentais para reduzir recaídas e promover recuperação duradoura.”
Informação reduz preconceito
Para o coordenador da Psiquiatria do Hospital Heidelberg, o maior desafio continua sendo vencer o estigma associado às doenças mentais. Assim como qualquer outra especialidade médica, a Psiquiatria trabalha com prevenção, diagnóstico e tratamento. Quanto mais cedo o paciente procura ajuda, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas e evitar que o quadro evolua para situações que exijam hospitalização.
Segundo o médico, o aumento das internações observado nos últimos anos deve servir como alerta para ampliar o acesso à informação e estimular a busca precoce por atendimento. “A internação nunca deve ser vista como punição ou motivo de vergonha. Ela é uma ferramenta terapêutica que salva vidas quando utilizada na indicação correta.”
O Hospital Heidelberg tem atendimento de emergência 24 horas, hospital dia, ambulatório e internamento integral. Em sua estrutura o hospital possui 40 médicos, além de outros 50 outros profissionais de saúde envolvidos no cuidado com os pacientes. Para atendimento 24 horas de emergência, siga para o Hospital Heidelberg do bairro Mercês: Rua Padre Agostinho, 687 – Telefone: (41) 3320-4900 / WhatsApp: (41) 98869-0436.
