

O Palácio Avenida resiste. Mesmo localizado em uma XV de Novembro que já viu dias melhores. Com cafés, bancas de jornal e o comércio cerrando as portas, a sensação é de que a rua espera um novo banho. Aquele de esguicho, dado no início do ano por um prefeito que se dizia pronto a vestir uma roupa limpa na capital, morreu na boa intenção. O Inferno está cheio delas.
Ficou a edificação majestosa, agora sob a bandeira do Bradesco, o Banco Brasileiro de Descontos. Pois sim. O prédio inaugurado em 1929 é quase nonagenário. São 18 mil metros quadrados de uma construção arquitetônica com o estilo e o rococó próprios do século de ouro. Feres Merhy, o sírio-libanês que o ergueu, tinha grandes ambições. No início era um complexo de lojas, que abrigava entre outros o famoso, e algo folclórico, Café Guairacá e também o Cine Avenida, uma das primeiras salas de exibição de Curitiba.
CORAL DE NATAL
O Bamerindus adquiriu o palácio em 1968, tratando e destratando dele conforme seu desejo. Em 1991 promoveu grande reforma, transformando-o em ícone cultural e abrigando o Coral de Natal. Uma decisão acertada. Tão acertada quanto o jingle da conta poupança Bamerindus, cantarolada por gerações mesmo depois da falência do banco.
SÍMBOLO
O Bamerindus passou, o HSBC voou e o Palácio Avenida continua numa boa.
De longe, é uma estrutura moldada com o capricho de um arquiteto apaixonado. De perto, é um símbolo de resistência. À espera de dias melhores.
