quarta-feira, 24 junho, 2026
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Blends e charutos: Brasil X Escócia

Por Carol Macedo – Hoje tem Brasil e Escócia, e eu vou aproveitar esse gancho para falar sobre esse país incrível que produz uma das bebidas mais apreciadas no mundo, a Escócia e o whisky, o melhor amigo do homem na versão engarrafado.

O whisky nasceu na Escócia, mas só ganhou o mundo depois que os ingleses precisaram substituir os brandies franceses por uma nova bebida. Lá em 1870, as vinícolas francesas foram vítimas de uma praga e com taças vazias os nobre britânicos foram em busca de novas bebidas e assim o whisky ganhou espaço nas taças dos ingleses e logo no coração do mundo todo.

Falando um pouco da Escócia, o país  é dividido em algumas regiões. Nada em decorrência de questões políticas, estados ou principados; as regiões são divididas quase como terroirs. Afinal, nada (ou quase nada) é mais sagrado que o Whisky nessa terra. O responsável por essa divisão foi Michael Jackson – não o cantor, mas um dos maiores estudiosos de cerveja e whisky do mundo. A divisão levou em conta basicamente fatores geográficos e históricos na época, sendo as três mais famosas: Highlands, Speyside e Islay.

Começamos pelas Highlands, a maior de todas. Justamente pelo seu tamanho, a variedade de maltes é gigante. É difícil definir uma característica sensorial única para a região, ainda mais se considerarmos que Speyside e as Islands tecnicamente fazem parte das Highlands. Eu nunca disse que era simples, né? A única coisa que posso prometer é que vale a pena provar cada um deles.

Dentro das Highlands, temos a região de Speyside, que detém a maior concentração de destilarias do país. Isso se deve à geografia, rica em nascentes e rios com águas incríveis. De maneira bem geral, os Speysides são whiskys mais aveludados, untuosos e levemente adocicados. Mas essa regra é superficial: se colocarmos The Macallan, The Glenlivet e Glenfiddich lado a lado, você perceberá que, apesar de vizinhas, são bem diferentes. Enquanto o The Macallan é oleoso, denso e com frutas secas, o The Glenlivet é leve e frutado, e o Glenfiddich é fresco e vibrante.

E, por fim, vamos falar de Islay, a mais “unânime” das regiões. Unânime nas características sensoriais, mas definitivamente não no coração de todos. Enquanto alguns ovacionam sua complexidade, outros (como eu – por favor, não me julguem!) torcem o nariz para as turfas em exagero.

Sim, turfa, e não trufa! Não vamos confundir a trufa de chocolate ou aquele cogumelo italiano caríssimo com a turfa escocesa. A turfa é um material fóssil orgânico que surge em regiões que foram alagadas há milhares de anos. Ela é retirada do solo e queimada para secar a cevada. A fumaça densa dessa queima impregna o grão com compostos químicos chamados fenóis, e o resultado é inconfundível: notas defumadas, medicinais e uma salinidade marcante. Beber um Islay é mandatório para quem gosta de whisky. Pode ser o seu primeiro copo de muitos ou o seu último, mas garanto que será inesquecível.

Para essa noite fria onde o Brasil enfrenta a Escócia a minha sugestão é que você tenha em mãos um bom whisky para acompanhar e, com sorte, celebrar a nossa vitória! Aqui vão as minhas sugestões: se for nos Speyside sugiro um Aberlour, se ficou curioso com as turfas aposte em um Talisker para iniciar nesse mundo, ou um Laphroaig, se for mais corajoso, um legítimo whisky de Islay. Agora, se prefere os clássicos e famosos, The Macallan das Highlands certamente vai entregar tudo o que você precisa para aquecer essa noite.

Slàinte e bom jogo para nós.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.

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