
O servo-croata Dimitry Kozemjakin, um sobrevivente da Segunda Grande Guerra que aportou no Paraná, sabe muito bem o que significa o Cartão da Pátria exibido por Nicolás Maduro na eleição da Venezuela.
Kozemjakin viveu os primeiros anos da Iugoslávia de Tito e sabe que o que é Cartão da Pátria para Maduro é “caderneta de racionamento” para ele. Dinheiro não havia. Cada trabalhador podia comprar uma cota de alimentos, roupas ou gozar de um benefício, mas só se disponíveis. O que era raro.
ESCUDOS DE MADEIRA
No domingo (30), ocorreram dez mortes durante as eleições para a Assembleia Constituinte no país bolivariano. A senadora do PT, cujo marido atende pelo codinome “Filósofo”, argumenta que as mortes ocorreram dos dois lados. Mesmo se verdade, é preciso lembrar que, de um lado, estão policiais treinados, bem equipados e armados até os dentes.
De outro, homens com camisetas enroladas na cabeça, para suportar o efeito do gás lacrimogêneo, e escudos de madeira. O que pode um escudo de madeira contra uma bala de fuzil? A senadora há de responder.
DITADURA SOLITÁRIA
O país está à beira de uma ditadura e, se insistir na Assembleia Constituinte estará também isolado no continente. Outros países, como a Colômbia, Argentina, Chile, Peru e Panamá, anunciaram não reconhecer a Constituinte. O Brasil espera que Caracas não instale imediatamente a Assembleia para dar tempo a uma negociação.
No mesmo dia em que Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT assinava artigo, na Folha de São Paulo, defendendo o governo de Maduro, a repórter Sylvia Colombo, também da Folha, definia Caracas como um cenário zumbi, lembrando a série “The Walking Dead”.
RUAS VAZIAS
Na madrugada de hoje (31), o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou que 8 milhões compareceram às urnas. Difícil crer diante de ruas vazias. Certo mesmo é que 2,5 milhões votaram. A maioria funcionários públicos ameaçados de demissão e de processo.
Por que a senadora petista insiste na tese de que o chavismo piorado de Nicolás Maduro deve seguir em frente? Ora, o petismo é a doença infantil do sindicalismo. Não há muito que explicar. Talvez porque considere que Maduro é o novo “Timoneiro do Povo”. Motorista de ônibus, no caso, porque essa é sua profissão.

