sexta-feira, 8 maio, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: A MISÉRIA DA IDEOLOGIA

Por Marcus Vinicius Gomes (*)

Marcus Vinicius Gomes
Marcus Vinicius Gomes

A senadora do PT saiu em defesa do governo da Venezuela. Faz lembrar o PCB e o semanário oficioso do partido, o “Voz da Unidade”, na década de 80, que viram com otimismo a lei marcial decretada por Jaruzelski, na Polônia, a fim de reprimir o sindicato Solidariedade. Não fosse o colar de pérolas da petista e as roupas de grife que ostenta e logo se imaginaria que ela anda de braços dados com a ditadura do proletariado.

Não tema, o PT não é disso. Nunca foi.

No casamento da deputada Maria Victória, do PP, a senadora petista lançou mão de um artifício: convocou a militância para o Largo da Ordem, justamente na hora e no local onde se realizaria a cerimônia e as comemorações das bodas.

Com a agilidade e a repercussão que o matrimônio ganhou na mídia e nas redes sociais, é difícil supor que a petista de nada sabia. É a miséria da ideologia posta à prova. Imaginou ela, se conhece um fiapo de história, a Queda da Bastilha num 14 de julho sem causa. Se a revolução dependesse dos 200 abnegados que lá estiveram que revolução seria.

Afrontou-se uma cerimônia que não desperdiçou dinheiro público nem causou danos ao patrimônio histórico. Cida Borghetti, a mãe de Maria Victória, vice-governadora do estado, é sócia da Sociedade Garibaldi, uma edificação construída há 113 anos por imigrantes italianos pobres que chegaram a Curitiba e nela criaram suas famílias. O prédio abriga festas de casamento e um sem-número de eventos. É assim que se obtêm recursos para sua preservação.

A estrutura montada no pátio externo, tão falada e castigada, desfez-se, dois dias depois, sem abalo nem comprometimento ao patrimônio tombado.

Passou ileso o prédio, mas não a história.

Dela o que fica registrado é a miséria exemplar de uma ideologia boquirrota. A mesma que se quer lembrada por adotar na política o pior que a América Latina pode produzir.

Em meio à turba, ouviam-se palavras como “camburão” e “ostentação”, mas, estranho, não se gritou “corrupção”. Talvez porque este termo esteja tão intimamente ligado à esquerda que ainda habita essas plagas. Agora sob as ordens do vice Michel Temer.

Cem convidados, que não tinham a ver com o pato, precisaram retornar às suas casas para trocar de roupa, tal o banho de ovos de que foram alvos.

Outros cem conseguiram recompor-se com a ajuda daqueles que os acudiram.

Não há perdão para o que ocorreu. Não haveria se o pai da noiva não fosse o ministro Ricardo Barros (Saúde) e a mãe, a vice-governadora. O protesto foi tão insano e tão inócuo quanto aquele organizado por dez manifestantes que fecham uma rodovia onde trafegam milhares de automóveis. E também ambulâncias, carros de bombeiros e viaturas policiais.

Vale repetir o que escreveu o jornalista Roberto Pompeu de Toledo a respeito do programa de governo da então presidenciável Heloísa Helena:

“No mundo que a senhora imagina, eu não quero viver”.

P.S.: Na sexta-feira, 28, Cida Borghetti iria fazer veicular nas mídias sociais um vídeo em que sai em defesa dela e de sua família. Ela calou até agora. Diz que não vai calar mais.

(*) Marcus Vinicius Gomes é jornalista. E passará, em agosto, a ser colaborador permanente deste blog/coluna.

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