quarta-feira, 10 junho, 2026
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Quer casar comigo? Mercado bridal brasileiro vive um novo auge

Por Dani Brito*, exclusiva para o Mural do Paraná – Na semana do Dia dos Namorados, uma pergunta parece inevitável: ainda faz sentido sonhar com casamento? Os números dizem que sim. E talvez mais do que isso: em um mundo onde as relações mudaram de forma, duração e linguagem, a cerimônia do casamento se reinventou sem perder seu poder social e simbólico.

É curioso pensar nisso. O casamento mudou. Os casais estão casando mais tarde. As uniões estáveis já superam os casamentos formais entre os brasileiros. As famílias assumem novas configurações e os casamentos homoafetivos registram crescimento consistente, especialmente entre mulheres. Mesmo assim, a indústria do casamento não apenas resiste como vive um momento de expansão.

Os números ajudam a explicar esse fenômeno. O setor movimenta cerca de R$ 32 bilhões por ano no Brasil. São aproximadamente 930 mil casamentos civis anuais, além de uma cadeia produtiva que envolve dezenas de fornecedores para um único evento. Cerimonialistas, fotógrafos, decoradores, floristas, chefs, arquitetos, músicos, estilistas, joalheiros, especialistas em tecnologia e criadores de conteúdo participam de um mercado que soube se reinventar depois da pandemia.

Talvez a principal mudança seja esta: o casamento deixou de ser apenas uma tradição social para se tornar um acontecimento personalizado.

Os brasileiros podem estar escolhendo casar mais tarde, mas estão investindo mais naquilo que faz sentido para sua vida. Alguns preferem uma cerimônia intimista. Outros optam por uma grande festa. Há quem troque a recepção por uma viagem. Há quem faça tudo isso junto. O mercado percebeu rapidamente que o luxo contemporâneo não está no excesso, mas na possibilidade de criar algo único.

Essa transformação chega também ao universo da moda. Durante muito tempo, o vestido de noiva foi tratado quase como um uniforme social, reproduzindo tendências internacionais e modelos consagrados. Hoje, cresce a procura por peças autorais, desenvolvidas sob medida, capazes de traduzir personalidade e identidade.

É um movimento interessante. Em uma época marcada pela produção em massa e pela velocidade das tendências, a alta-costura bridal caminha na direção oposta. Valoriza o tempo da criação, o trabalho artesanal, os materiais cuidadosamente escolhidos e o diálogo entre estilista e cliente.

No Sul do Brasil, esse movimento encontra representantes em ateliers independentes que conquistam espaço apostando justamente na exclusividade. É o caso da CRISCOSTA Couture, marca baseada no Paraná e que mantém agenda de atendimentos em Porto Alegre, acompanhando uma clientela que busca mais do que um vestido para um dia específico. Busca uma peça capaz de contar a “sua” história.

E talvez seja essa a grande sacada do mercado bridal contemporâneo. O vestido branco num guarda-roupa feminino nasce com vocação para a memória. É fotografado, guardado, restaurado, transformado e, em muitos casos, atravessa gerações. Há vestidos que viram novas criações para filhas e netas. Outros se transformam em mantas de batismo, detalhes de decoração ou simplesmente permanecem guardados como testemunhas silenciosas de um momento importante da vida.

Sem pieguice, mas com algum realismo, é possível dizer que poucas indústrias trabalham tão diretamente com afetos quanto a do casamento. Talvez por isso ela continue crescendo.

E enquanto houver histórias que mereçam ser celebradas, haverá espaço para quem saiba transformá-las na tal “experiência”. A vontade de reunir pessoas queridas e começar um novo capítulo da vida continua tão atual quanto aquele vestido branco que, geração após geração, insiste em atravessar o tempo. 

*Dani Brito é jornalista e professora de Comunicação para Moda

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