segunda-feira, 8 junho, 2026
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Bonijuris atravessa o tempo comprometida com o bom Direito

Por Marcus Gomes – Só a devoção pelo impresso explica a Revista Bonijuris. Desde a sua criação, a partir de um boletim informativo, a publicação transitou por mudanças que justificam, em parte, a revolução promovida pelo alemão Johannes Gutenberg com a prensa de tipos móveis.

A veneração pelo impresso é também o respeito pela qualidade editorial e um compromisso com o leitor. A regularidade da circulação da Revista Bonijuris, em suas três fases, torna os 700 números da publicação ainda mais respeitáveis. Primamos pela excelência, não pelo excesso.

Por isso, o cuidado com a seleção de artigos doutrinários e jurisprudenciais, a checagem cuidadosa, as revisões técnicas exaustivas e a valorização do espaço impresso, que não pode ser desperdiçado.

Porque digitais, a grande maioria das revistas jurídicas, acadêmicas ou não, se transformaram em repertórios de artigos doutrinários, coletâneas não editadas e não revisadas, sem limites de páginas. É uma postura que a revista nunca adotou.

Rema-se contra a maré, sim, mas com a consciência de que vale a pena. Diante de um improvável cataclismo ou de um apagão definitivo da web, a chance de que uma publicação escrita sobreviva, preservando parte da nossa cultura jurídica, nos parece maior.

Acrescente-se a esses argumentos, a codependência da invenção de Gutenberg com o progresso da humanidade. São elos de uma mesma corrente. Ao mecanizar a produção gráfica, o alemão acelerou o processo de impressão e tornou os livros mais baratos. Isso possibilitou o acesso ao conhecimento, impulsionou a alfabetização, acelerou a Reforma Protestante, a Revolução Científica e quebrou o monopólio da Igreja sobre a informação.

 

Advogado e jornalista com colaboração em vários jornais de Curitiba, Luiz Fernando de Queiroz, era um profissional em início de carreira na década de 1970, quando enveredou pela chefia de reportagem do Diário do Paraná. Num tempo em que as redações eram formadas por verdadeiros clubes do Bolinha, Queiroz passou a recrutar apenas jornalistas mulheres. Contratadas, elas foram apelidadas de ‘Queiroletes’

É uma nota divertida na história de um empreendedor apaixonado por livros. Em 1989, Queiroz concretizou um sonho ao se tornar sócio da editora Bonijuris, então Instituto de Pesquisas Jurídicas, e editor-chefe da revista homônima.

A publicação cresce e aparece no meio jurídico. A tiragem, antes de 6 mil exemplares, foi ampliada para 7.500 e tende a escalar, mesmo considerando-se os custos gráficos, sempre estratosféricos.

A obstinação pela edição impressa, porém, não dá as costas à internet. Atualmente, a versão digital da revista é enviada a cerca de 200 mil endereços.

É um panorama animador que, convenhamos, pouco significaria sem o devido respeito ao prazo. Poucas vezes, ao longo de décadas, a Revista Bonijuris deixou de vir a lume na data definida. Há um lema na redação que não precisa ser escrito: qualidade e regularidade em edições que sempre serão impressas. A invenção de Gutenberg merece. E o leitor agradece.

A regularidade de circulação da Revista Bonijuris, em suas três fases, durante 700 edições, sempre sendo lançada no início do período de sua circulação (em poucas edições isso não ocorreu no primeiro dia do prazo).

A qualidade do conteúdo da revista, que vem se mantendo elevada até hoje, sem quebra, principalmente porque continua sendo impressa, com espaço limitado, o que exige revisões e edições, com corte do que não é essencial. A grande maioria das revistas jurídicas, acadêmicas ou não, se transformaram em repertórios de artigos doutrinários, coletâneas não editadas e não revisadas, sem limites de páginas.

A probabilidade de que uma revista escrita pode sobreviver por muitos séculos, preservando parte da nossa cultura jurídica de hoje, mesmo que algum cataclismo extermine os bancos de dados digitais. Estamos indo contra a maré, sim, mas com consciência de que vale a pena.

Viva Johannes Gutenberg!

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