sexta-feira, 22 maio, 2026
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Como manter a rotina de atividade física durante o frio

Assessoria – Mesmo antes da chegada oficial do inverno, o clima frio de Curitiba já representa um desafio para quem mantém uma rotina regular de atividade física ao ar livre. As temperaturas mais baixas, somadas à umidade e às mudanças bruscas do tempo, exigem atenção especial de corredores, especialmente em relação ao aquecimento, à proteção térmica e à prevenção de lesões.

Carla Melo, 61 anos, vendedora de produtos naturais e corredora dedicada, conhece bem essa realidade. Ela treina quatro vezes por semana, faça chuva ou faça sol, e está focada na Maratona do Litoral, que será realizada em julho de 2026. “Quando corro no Parque Barigui, sinto que o frio fortalece meu corpo. Ele exige mais resistência e, ao mesmo tempo, prepara meu pulmão para enfrentar os desafios mais intensos da corrida”, comenta Carla, que corre desde os 44 anos.

De acordo com o preparador físico Daniel Waleski, diretor técnico da Sports360, o clima frio de Curitiba também pode favorecer a preparação dos atletas quando o treino é feito com planejamento. “Quando treinamos em temperaturas mais baixas, o corpo se adapta, tornando-se mais eficiente no uso de oxigênio e promovendo maior resistência cardiovascular. O frio também favorece o aumento da tolerância ao desconforto físico e pode contribuir para a preparação do atleta”, explica Waleski.

Mas o desempenho no frio depende de cuidados específicos. Segundo o Dr. Fernando Martins Rosa, médico ortopedista do Hospital VITA, com atuação em cirurgia do joelho e trauma do esporte, as baixas temperaturas aumentam naturalmente a rigidez muscular e reduzem a elasticidade dos tecidos, o que pode elevar o risco de lesões musculares, tendinites e dores articulares. “O corredor não deve sair forte logo nos primeiros minutos. O ideal é iniciar com trote leve, movimentos dinâmicos e aumento progressivo da intensidade, para elevar gradualmente a temperatura muscular e melhorar a circulação sanguínea”, orienta.

O médico explica que, no frio, o aquecimento precisa ser mais longo e ativo. Em vez de apenas alongamentos estáticos antes da corrida, a recomendação é priorizar caminhada acelerada, trote leve, mobilidade articular, exercícios educativos de corrida e movimentos dinâmicos, como skipping e elevação de joelhos. “Quando a musculatura aquece, há melhora da elasticidade dos tecidos, aumento da velocidade de contração muscular e maior eficiência biomecânica. Isso reduz o risco de distensões, estiramentos e dores musculares durante o treino”, afirma o Dr. Fernando.

Outro ponto de atenção é a hidratação. Mesmo em temperaturas baixas, o corpo continua perdendo líquidos durante a atividade física, mas muitos atletas reduzem a ingestão de água por sentirem menos sede. “Músculos frios tendem a consumir mais energia e podem fadigar mais rapidamente. Por isso, hidratação, recuperação adequada e atenção ao histórico de lesões são cuidados importantes, especialmente para corredores que treinam logo cedo ou à noite”, acrescenta o ortopedista.

A escolha das roupas também influencia diretamente o conforto e a segurança durante o exercício. O Dr. Fernando recomenda o uso de camadas: uma primeira peça com tecido que ajude a eliminar o suor da pele, uma camada intermediária térmica em dias mais frios e uma proteção externa contra vento e umidade. “Tecidos respiráveis são melhores do que algodão, porque evitam que a roupa fique molhada durante o exercício. Quando o atleta transpira e permanece com a roupa úmida no frio, há perda acelerada de calor corporal”, explica. Para Carla, manter a rotina em Curitiba é parte da preparação física e mental. “Quando corro no frio, sei que estou me preparando para qualquer desafio, porque o clima de Curitiba me ensina a superar os limites”, finaliza a corredora.

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