sexta-feira, 22 maio, 2026
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Conversa nas Horas Zagas: Tirem a venda da justiça

Por Zaga MattosNão é de hoje: o texto a seguir foi publicado originalmente em novembro de 1991, como editorial do Judicialis, uma das publicações editadas por mim, ao longo de minha carreira de mais de 50 anos de jornalismo. Já se passaram quase 35 anos, mas, ao ler hoje, pergunto a vocês: o tempo passou, ou os desafios do nosso país continuam os mesmos? A reflexão sobre o papel da Justiça e a ética nas instituições permanece, infelizmente, muito atual.

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O país atravessa hoje um dos seus mais críticos momentos. Como se não bastasse a crise econômica e seus reflexos, vivemos a mais grave das situações, a da onda de descrédito de algumas instituições tradicionais. Nesse incrível roldão, que traz consigo aparência de orquestração planejada, a classe política foi a primeira a ser atingida. Pouco ou nenhum valor dá-se àqueles que deveriam ser os representantes dos anseios populares. Pelo contrário, todos têm sobre eles o mesmo conceito. Um conceito nada recomendável. E para o qual os políticos contribuem a cada instante. Até mesmo quando se travestem de justiceiros e paladinos dos bons costumes.

Dos políticos às autoridades governamentais, foi um pulo. E mesmo aqueles que estão hoje em cargos públicos, dando sua parcela de contribuição para fazer funcionar a engrenagem estatal, deixando suas atividades empresariais, acabam por ser nivelados àqueles tidos e havidos como ocupantes de sinecuras e que não sabem viver sem as benesses do poder.
A lista é longa e recebe reforço a cada novo dia. Ora com um livro sobre os romances ministeriais, ora com o anúncio de licitações viciadas. A impressão que se tem é que há um esforço nacional para tornar fato real o que era tido como piada: temos florestas, longa costa, sol e mar, solo e subsolos ricos, mas temos um povo!

Há que ser revertido este quadro. E se acompanharmos pronunciamentos de magistrados, veremos que existe uma preocupação generalizada. Qual seja a de impedir que a Justiça, esta instituição que se sobrepõe a todas outras, para que as demais possam existir harmoniosamente, venha a receber pleno descrédito da população. Nesse esforço de manter viva a postura equânime da Justiça, magistrados têm dado matizes fortes aos seus pronunciamentos, procurando despertar consciências.

Essa deve ser a cruzada de todos aqueles que militam no campo do Direito. Afinal, a Justiça é tida como cega para aplicação do direito, mas jamais poderá fazer vista grossa a desmandos que haverão de refletir na instituição.

Está na hora de se tirar a venda de justiça, para que ela, acompanhando a realidade social, seja aplicada para fazer valer o direito. E, como bem observa o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, desembargador Régis Fernandes de Oliveira, “é hora de o juiz mostrar que a deusa não tem olhos vendados”.

Acompanhe-me em www.zagamattos.com.br

*Zaga Mattos é autor do livro “Memórias de um boêmio de chinelos! Pedido de livro: Whatsapp 47-99925-6161 ou e-book na Amazon. Luiz Gonzaga de Mattos, é jornalista “curitibano-barriga verde” e escritor. Cronista do cotidiano e da boemia, também faz as tirinhas e charges da home do Mural do Paraná – desde os tempos do Blog do Aroldo Murá.

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