terça-feira, 23 junho, 2026
HomeMemorialCARTA CAPITAL ESTÁ MORRENDO E O PT QUER RESSUSCITÁ-LA

CARTA CAPITAL ESTÁ MORRENDO E O PT QUER RESSUSCITÁ-LA

Mino Carta
Mino Carta

Mino Carta foi o primeiro diretor de redação de “Veja”. A capa clássica da edição número 1, com o martelo e a foice em fundo vermelho, foi por ele concebida. Ele criou a entrevista de páginas amarelas e deu o tom para aquela que seria uma das maiores revistas semanais do mundo. É a segunda. Carta concebeu também a IstoÉ e estava na redação, na década de 80, quando ela atingiu o seu auge. Também estava lá no seu declínio.

Quando cansou de brincar de fazer revistas para os outros, fez a sua própria. A “Carta Capital” está na praça há 23 anos. Quando surgiu, tinha um viés empresarial. O nome dizia tudo: era Capital de capitalismo.

LULA LÁ

Quis o destino, no entanto, que um metalúrgico assumisse a presidência da República. E foi aí que a “Carta” se esbaldou. Durante longo tempo, pautou-se e foi pautada pelo governo petista em troca do melhor brioche que se pode ofertar: anúncios de estatais e de empreiteiras a serviço do governo. O faturamento era líquido e certo e os riscos, nulos.

PRAVDA

Bom, tudo isso é passado. A “Carta Capital”, que gostava de ser chamada de “Pravda” do PT, pode fechar as portas. Lamenta-se pelos jornalistas e pela aura alternativa que ela ganhou nos seus primeiros anos, quando ainda não havia apostado todas as suas fichas no lulopetismo.

96-carta-capaNa última tentativa de ressuscitá-la, o PT distribuiu um vídeo nas redes sociais pedindo colaborações para a revista. É constrangedor. O apelo só faz comprovar o que era óbvio. A “Carta Capital” vivia a reboque do governo. No auge, fez matérias estapafúrdias em defesa da Venezuela de Hugo Cháves e de Maduro. No ocaso, abraça-se à candidatura de Lula à presidência em 2018 e compara a reforma trabalhista ao período escravocrata. Não dá para levar a sério.

CAMPANHA PARA ATRAIR ‘SÓCIOS’

A estratégia, agora, é atrair o sócio-torcedor da revista para bancá-la e garantir-lhe a sobrevivência. Certamente é um gesto mais nobre. esperar que o dinheiro público pingasse na conta à custa de reportagens simpáticas e falaciosas era mesmo de doer. O PMDB do Paraná também se dispôs a defender a revista em vídeo. Quem sai em seu socorro não fala em nome do partido. Trata-se de um político, de inclinação bolivariana, que por essas plagas singrou e ainda quer singrar. Um personagem de tão fortes características que não carece de nome para ser lembrado. O leitor há de adivinhar.

Leia Também

Leia Também