sexta-feira, 8 maio, 2026
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SEM LULA, PT TENDE A SUBMERGIR

Ciro Gomes: um “espalha-rodas”; e Lula: carisma comprovado
Ciro Gomes: um “espalha-rodas”; e Lula: carisma comprovado

Sem Lula, o PT se faz oco. Era uma condição previsível. O partido foi criado a reboque de Lula, alcançou a presidência a reboque de Lula e, muito provavelmente, irá submergir no cenário político a reboque de Lula.

O ocaso de um partido de tal envergadura é preocupante. O contraponto da esquerda, a disposição em debater e protestar, a representatividade popular. É o que faz e fez a sigla petista ao longo de quase quatro décadas. E como tal não existe paralelo.

ESCÂNDALOS

As administrações decepcionantes, os escândalos de corrupção e, por fim, as prisões, provocaram a debandada ou a prisão de líderes, deixando atrás de si um rastro de que Átila, o Huno, se orgulharia.

Restou o líder máximo. Lula chamou para si a direção e o controle do partido, tal como um comandante de republiqueta socialista. Na ausência da farda, trajou a camisa vermelha tão típica desses tristes trópicos sul-americanos.

PLANO B

Eis o que surge. Com Lula condenado, o partido trata de, ao menos por enquanto, enterrar o Plano B. Seria mesmo um ato cruel contra o velho líder petista. O plano, no entanto, é tão simples que chega ser simplório. Fernando Haddad, o ex-prefeito de São Paulo no primeiro turno na tentativa de se reeleger, surgia como o presidenciável petista. Se o plano não colasse, e não deve colar, o partido se aliaria a Ciro Gomes (PDT-CE), em sua louca tentativa de resgatar a popularidade que conquistou em 2002, mas deixou escapar por conta de sua incontinência verbal.

LEGENDA ALQUEBRADA

Ciro Gomes é, sem dúvida, um salto no escuro para a esquerda. O ex-governador do Ceará capitaliza aversões em todos os segmentos da sociedade brasileira, não tem o carisma de Lula, será sempre alguém que o Sul e Sudeste rejeitam por sua truculência. Isso sem preconceito “contra nordestino”, como me dizia ontem um tucano, lembrando que Ciro é paulista de nascimento.

Há uma saturação, um desgaste de material, que já era visível no primeiro governo Dilma. A esquerda conduziu-se por inércia, apegada aos índices da economia e aos programas sociais. Mas não há quem sustente um sumidouro de dinheiro, como se verificou nos escândalos do petrolão. De qualquer forma, eis o desafio do PT: ora em diante, ser mais do que uma legenda alquebrada.

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