sexta-feira, 8 maio, 2026
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INTERVENÇÃO MILITAR OU MUITO POUCO BARULHO POR NADA

96-Militares no poderQuase ninguém os viu. Mas eles estavam lá. Cinquentas manifestantes concentraram-se domingo no bairro Bacacheri, em Curitiba, em defesa da intervenção militar no país. “Não é opção, é a única solução”, dizia a faixa estendida.

Nem os militares levam a sério. Mas vá lá. Os dirigentes do grupo, e esta coluna ouviu alguns deles, afirmam que o Brasil está prestes a sofrer uma venezuelização, o que significa “implantar” o comunismo no país. Bem, não se trata de comunismo, mas de populismo. A Venezuela, de Nicolás Maduro, é um país de economia capitalista que investiu pesado em programas sociais que garantem sua sustentação política. Ou garantiam.

Com a morte de Hugo Chávez, em 2013, e a queda vertiginosa do petróleo no mercado externo, o país ruiu. Sustenta-se hoje, justamente, por conta das forças armadas, que ocupam ministério e cargos de altos salários na administração Maduro.

SALVADORES DA PÁTRIA

Imaginar que os militares podem “salvar” o país é tão factível quanto achar que Sérgio Moro ou Carmen Lúcia ou Joaquim Barbosa, podem garantir a idoneidade de um novo governo porque são todos eles idôneos. Não, não podem.

E antes de mais nada, é preciso esclarecer. Aqueles que defendem a intervenção militar – rechaçada por qualquer comandante das forças armadas que se preze – não defendem a ditadura. Querem apenas que os milicos botem ordem na casa antes de deixar o governo sob os cuidados dos civis e seguir em frente com seus afazeres. Bom, há sempre o risco de pegarem gosto pela coisa e decidirem ficar bem onde estão. Em 1964, ainda que o golpe tenha sido construído nas casernas, sob o clima de guerra fria e de implantação de um governo populista no Brasil, havia a disposição da “intervenção militar provisória” por parte do general Castello Branco. Não foi o que se viu.

ERA DE EXTREMOS

A ideia de um golpe militar saneador faz parte da “era de extremos” em que vive o país. Do outro lado há os que gritam por uma “frente popular”. A sorte dos brasileiros é que a fanfarra está presente mais nas redes sociais do que nas ruas. No domingo, havia 50 manifestantes em frente ao 20º Batalhão de Infantaria Militar. Por que se colocaram lá? Talvez por imaginar que angariariam a simpatia dos milicos do quartel.

FORA TEMER

Na internet, vociferam aqueles que se dizem “representantes do povo” e que, ironicamente, veem agora suas bandeiras de luta confundirem-se com aquelas que estão do outro lado e que também clamam por “Fora Temer”.

Ora, ora. Michel Temer, vice de Dilma, salvador da pátria dos coxinhas, golpista aos olhos dos mortadelas ou vítima de golpe na interpretação dos mais abilolados, é agora uma unanimidade. O indesejado de todos. fortaleça.

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