
Com discrição, a beleza negra da embaixadora do Senegal no Brasil, Fatoumata Binetou Correa, circulava no começo da noite de sábado no Mercadorama da Sete de Setembro.
Hospedada num hotel vizinho do mercado, ela fazia pequenas compras.
Estava cumprindo agenda oficial no Paraná.
Disse-me ter ficado surpresa com “o número impressionante de descendentes de alemães” que encontrou em Santa Catarina, em recente visita.
– Seja bem vinda, senhora, à diversidade brasileira, respondi-lhe, depois de a diplomara perguntar-me minha nacionalidade.
BALZAQUEANA
Balzaqueana – mulher dos 40 anos de idade, no catálogo de Balzac, lembram-se? – tem dois filhos e é casada com um descendente de portugueses.
Uma das preocupações da diplomata (ela pertence aos quadros da carrière de seu país) é abrir oportunidade de estudos a universitários senegaleses no Brasil, em graduação e pós. Em maio, por exemplo, tratou do assunto com dirigentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
TRAJE TÍPICO
Em contatos oficiais, mostram as fotografias de eventos, Fatoumata está sempre vestida com roupas típicas do Senegal.
No mercado, em Curitiba, o charme da diplomata vestia-se de roupas ocidentalizadas, ela falando pelo menos três idiomas: português, inglês e o francês, língua oficial de seu país.
“Simpatia contagiante”, cravou um ouvinte de nosso rápido diálogo, o fiscal de caixa Yuri, engenheiro químico que teve de aceitar a função diante da crise que atingiu também sua profissão.
Quando lhe expliquei a situação de Yuri, comum num Brasil de desempregados, ela deu a entender que o mesmo se passa no seu país.
“JE PARLE FRANÇAIS”
Quando começamos a conversar , durante esse encontro fortuito, perguntei-lhe se falava o ‘creole’, o idioma dos nativos do Haiti. De pronto, veio explicação, sem nenhum sinal de contrariedade por ter sido confundida com haitiana:
“Non, je parle français, monsieur”. Havia uma ponta de orgulho ao declinar a língua de Molière.
“PAI DA PÁTRIA”
Lamento não ter ampliado meu diálogo com essa figura marcante, segura no expender rápidos conceitos gerais sobre política internacional.
Por alguns minutos, cheguei, cá comigo, a associá-la a Leopold Senghor, o “pai da pátria” do Senegal, cuja dimensão espiritual e cultural o levou a ser membro da Academia de França.
