quarta-feira, 4 março, 2026
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Como a conversa voltou à cozinha 

Por Eloi Zanetti (contato: eloizanetti@gmail.com) – Trabalhar em marketing é manter constante atenção com as transformações do mercado, exercendo um olhar acurado sobre o comportamento das pessoas. Uma dessas mudanças mais curiosas, dos últimos tempos, foi o surgimento do interesse, principalmente por parte dos homens, pelos assuntos da arte da culinária.

Parece que, de uma hora para outra, começaram a surgir centenas de livros, revistas e artigos sobre os assuntos da boa mesa. Programas de TV em diversos estilos foram lançados, lojas especializadas com produtos e iguarias importadas apareceram quase que do nada. Existem até espaços chamados de gourmeteria em condomínios de luxo.

Só que este “de repente, não mais que repente”, não aconteceu tão rápido assim. As mudanças no labor humano são montadas no ar muito antes de se cristalizarem em comportamento e ações práticas. Vamos acompanhar o raciocínio e ver como algumas alterações mudam o comportamento das pessoas tempos depois de iniciadas. Nas décadas de 1970/80, os apartamentos compunham-se de dormitórios, salas de estar e refeição, pequena cozinha, lavanderia e quarto de empregada. Com o tempo, dispensou-se o quarto de empregada, porque nenhuma delas dorme mais no emprego, e juntou-se esta área à da lavanderia e cozinha, ampliando-se o espaço. 

Acompanhando essa ampliação, os designers de ambiente não perderam tempo e logo apresentaram ao mercado mobiliários planejados e modulares. As cozinhas tornaram-se mais bonitas, decoradas e equipadas. Nasceram as grifes de refrigeradores, fogões e fornos de “fazer inveja”. O novo ambiente, antes área de serviço, veio para tomar o lugar dos sofás da sala de visitas. E, como nas casas de antigamente, a conversa voltou para o pé do fogão. A nova cozinha estava preparada para isso, mas e os donos da casa? Bem, para preparar esses cozinheiros ao novo estilo de vida, foi que se criaram os sofisticados cursos de culinária, os novos equipamentos e suas panelas chiques, e ressuscitou-se o uso dos antigos condimentos e especiarias.

O que hoje parece corriqueiro nasceu lá atrás, quando se mexeu no espaço das habitações. E, enquanto o novo chefe prepara alguma coisa, belisca-se, bebe-se e joga-se conversa fora. Quer atividade mais prazerosa? Passe lá em casa que vou fazer uma… Bem, é surpresa.

*Eloi Zanetti é escritor, especialista em marketing e comunicação corporativa. Contato: eloizanetti@gmail.com

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