quinta-feira, 7 maio, 2026
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Edson Militão foi o arquiteto da cobertura esportiva no Paraná

Edson Militão (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)
Edson Militão (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Há 15 anos, o Brasil sagrou-se campeão mundial de futebol pela última vez e Edson Militão estava lá. Não como um espectador. Mas como o coordenador da equipe da Gazeta do Povo que, durante 45 dias, percorreria cidades da Coreia do Sul e do Japão para acompanhar as sete partidas que levariam a seleção de Luiz Felipe Scolari ao pentacampeonato.

Militão inventou a cobertura internacional (de expressiva equipe) de imprensa no Paraná. Antes existiam iniciativas isoladas, de Carneiro Neto, Airton Cordeiro…

A “INVENÇÃO”

O porquê da “invenção”? Por diversos motivos. Entre eles, o desinteresse dos meios de comunicação, e principalmente dos jornais, em imprimir sua marca em eventos esportivos de grande projeção mundial. A Copa do Mundo e as Olimpíadas, por exemplo. Por outro lado, o investimento era de grande monta e o retorno duvidoso. A zona confortável era a das agências nacionais e internacionais, que se encarregavam de vender as fotos e os noticiários, mas sem olhos regionais sobre a cobertura.

OLHAR GAÚCHO

O “Zero Hora”, com a visão gaúcha de vender-se como o umbigo do mundo, foi o primeiro. Depois vieram alguns jornais do Nordeste e, no rastro de coberturas independentes, o da Gazeta do Povo, capitaneadas por Edson Militão.

96-1992_Summer_Olympics_logo.svgBARCELONA FOI A PRIMEIRA

A primeira parceria ocorre em 1992, durantes as Olimpíadas de Barcelona. Depois vieram todas as outras. Militão foi o arquiteto da cobertura, atendendo todos os detalhes necessários para a equipe: credenciais, hotéis, viagens, diárias, transporte local, tradutores. Era um especialista, com um currículo de jornalista, radialista e apresentador e comentarista de TV, à frente de uma nau do descobrimento que não deixava margem para improvisos.

EM DUAS DÉCADAS, 70 EVENTOS

Em 2002, ano da Copa do Mundo na Coreia do Sul e no Japão – um caso inusitado de torneio em dois países que dificilmente se repetirá –, as equipes começaram a crescer, levando fotógrafos, repórteres, colunistas (o próprio Militão) e ganhando estrutura tecnológica para a cobertura. Uma fórmula que se repetiria durante 20 anos, com a cobertura de 70 grandes eventos internacionais – incluindo Pan-americano, Copa América e Libertadores da América.

Em 2012, durante as Olimpíadas de Londres, a parceria encerrou-se, por conta de reestruturações na Gazeta do Povo, mas Edson Militão permaneceu no quadro de colunistas semanais do jornal até a edição impressa se despedir.

CHE GUEVARA E FARC

Militão sempre foi um entusiasta das coberturas jornalísticas. Era o repórter que queria estar na hora e no lugar em que a notícia ocorria. Foi assim em 1997 quando, após uma eliminação precoce da seleção brasileira na Copa América, se enredou pelo deserto da Bolívia para acompanhar, ao lado de outro repórter de um jornal brasileiro, as ossadas de Che Guevara, morto em 1967 por militares bolivianos.

Em outra ocasião, de novo em uma eliminação da seleção brasileira logo no início do torneio, foi dar com Raúl Reyes, o porta-voz das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, em plena selva. Reyes seria assassinado pouco depois pelas tropas regulares do país e o registro do repórter Militão ficaria para sempre.

LATA DE GOIABADA

Muito antes de tornar-se arquiteto das coberturas internacionais esportivas na Gazeta do Povo, Edson Militão era um apaixonado pelo esporte e especialmente pelo futebol. Em 1966, quando viu sua primeira Copa do Mundo ao vivo, na Inglaterra, viveu agruras dignas de um mochileiro na Europa. Passou fome, hospedou-se em albergues e, no limite, serviu-se da goiabada em lata que a mãe, dona Cármen, fizera questão que ele colocasse na bagagem quando embarcou para Londres.

SERÁ PERSONAGEM

Há histórias mirabolantes que Militão tem para contar. Parte delas estará impressa na edição de número 10 do “Vozes do Paraná”, com lançamento marcado para 2018. Mas há mais a relatar. Talvez Militão conte em livro suas aventuras em série. Quando a hora chegar.

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