quarta-feira, 6 maio, 2026
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MORTE IMPRESSA DA ‘GAZETA’ FOI DAR NA ‘VEJA’

GP nas páginas de “Veja” desta semana
GP nas páginas de “Veja” desta semana

“Em cinco anos, não serão mais vistos muitos diários nas bancas”. A afirmação é do norte-americano Rick Edmonds, analista de negócios de mídia, em entrevista à “Veja” desta semana. A revista dedicou duas páginas ao jornal “Gazeta do Povo”, que põe fim à sua edição impressa no próximo dia 31, depois de quase 100 anos de existência.

MIGRAÇÃO CERTA

Trata-se de um pioneirismo às avessas. Curitiba passa a ser a primeira grande capital brasileira a deixar de possuir um diário com 100 mil leitores ou mais por semana – números que, no caso da Gazeta, não se confirmavam. Os controladores do jornal dão como certa a migração do impresso para o digital por parte do leitor como é certa a aposta que Atlético e Coritiba fizeram ao transmitir a final do Paranaense nas plataformas do YouTube e Facebook. Mas há que considerar o público mais conservador e aquele mais idoso, que ainda não aderiu às novidades tecnológicas.

CAMINHO TORTUOSO

Para estes, as medidas tomadas pela Gazeta, ainda que inevitáveis, soaram como drásticas. Há dois meses, o jornal iniciara uma campanha de renovação de assinaturas anual, oferecendo a versão digital no primeiro mês ao preço de R$ 0,99 e a impressa a R$ 59,90. Era um indício de que seguiria com o papel ainda que a um custo mais elevado. No mês passado, rendeu-se à realidade e aos sucessivos prejuízos financeiros.

PRINCÍPIOS

Há quem afirme que os problemas da Gazeta originaram-se em sua política editorial. Parece que o jornal não está interessado no leitor, mas em princípios que ele mesmo adota. Nos últimos dez dias, a Gazeta vem publicando, em capítulos, o DNA de sua política editorial intitulada “Nossas Convicções”. Tais princípios têm pouco a ver com a defesa da imprensa livre.

SEM TRANSIÇÃO

Sem dúvida, a Gazeta faz uma aposta pioneira, mas despreza a transição a que se impôs, no mundo, o The New York Times, que alcançou no ano passado 1,6 milhão de assinantes digitais e, ao mesmo tempo, ganhou leitores do impresso: 600 mil.

NÚMEROS BAIXOS

Em termos regionais, a Gazeta tem hoje uma circulação semanal da ordem de 360 mil jornais. Mesmo sendo o único jornal de grande porte no estado, vê seus vizinhos alcançarem números bem mais expressivos. Porto Alegre, por exemplo, tem três jornais e circulação de 1,8 milhão para uma população de 1,4 milhão (Curitiba tem 1,8 milhão). Recife, com 1,6 milhão de habitantes, tem dois diários que circulam para 787 mil leitores.

Talvez a versão digital seja a grande aposta de reestruturação da Gazeta. Mas não deve ser a única.

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