
Foi em depoimento revelador ao “Encontros do Araguaia”, livro organizado por este jornalista, que o senador paranaense Alvaro Dias esmiuçou seus planos para 2018: será candidato à presidência da República. A decisão é política, mas conta com uma interferência familiar. Em reunião de fim ano, o filho do senador, Alvaro Dias Filho, foi o porta-voz da família no que se referia ao futuro político do pai. Todos concordavam que a vida que o senador levava entre Curitiba e Brasília era sacrificante, mas rejeitavam, por outro lado, a candidatura dele ao governo do Paraná.
Esta sim implicaria carga demasiada à família, por causa das interferências pessoais. Por isso, bateram o martelo. Que ele disputasse a presidência da República, caso desejasse. Se vencer, muito bem. Se não vencer, que volte para casa e escreva um livro.
VERDE QUE NÃO TE QUERO
Alvaro Dias tem mandato até o ano que vem. Em 2016, com a janela partidária aberta, filiou-se ao PV, um partido de inspiração ambiental, mas imerso em problemas internos e em falta de representatividade. Agora tenta reunir forças para criar uma nova legenda, o Podemos (calcado no partido espanhol de mesmo nome), e assim ganhar mais tempo de TV. É um desafio.
NOME SEM MÁCULA
Se algo motiva Alvaro são os novos acontecimentos. Com as denúncias da Lava Jato, o número de candidatos de alto coturno que se apresentavam para a disputa segue diminuindo. Há razões de sobra para crer que Lula, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra devam soçobrar diante do escândalo do Petrolão e do Caixa 2. Alvaro seria um nome sem mácula.
PODEMOS
No ano passado, Alvaro reuniu-se com parlamentares paulistas dispostos a viabilizar o Podemos no país. O partido tem um quê de socialismo e outro do democratismo americano de Barack Obama. Rema, portanto, contra o trumpismo ao mesmo tempo em que dá vazão ao liberalismo econômico. É tudo o que Alvaro almeja de uma legenda partidária. Quanto à disputa ao governo do Paraná, segue descartada. O senador pretende seguir a recomendação familiar. Sai candidato a presidente e, se tudo der certo, conta com o apoio do irmão e pré-candidato ao governo Osmar Dias (que ora segue no PDT). É o cenário mais próximo da realidade.
