quarta-feira, 6 maio, 2026
HomeMemorialMÍDIA "PROGRESSISTA DO NOTÁVEL MINO CARTA

MÍDIA “PROGRESSISTA DO NOTÁVEL MINO CARTA

Lula fichado no DOPS, Mino Carta e a revista “Isto É”
Lula fichado no DOPS, Mino Carta e a revista “Isto É”

Se você quer saber por que um veículo de comunicação se dispõe a defender regimes de governo duvidosos, a ponto de incomodar o senso comum, siga o dinheiro. “Carta Capital” é um caso. A revista não nasceu progressista, tornou-se progressista, se é que esse é o termo para designar as publicações que se diferenciam da grande imprensa.

PÁGINAS AMARELAS

Seu criador é um personagem de respeito. Mino Carta, um italiano importado por Roberto Civita para comandar a “Veja”, nos anos 60. Foi ele quem criou as “Páginas Amarelas” da revista e deu a ela o tom editorial com a escalação de um time de redatores excepcionais.

ESQUERDISMO

Mino sempre se proclamou um marxista da tendência Rockfeller, o que é tão exótico quanto um capitalista de inspiração maoísta. Quando se transferiu para a “IstoÉ”, nos anos 80, e depois recriou a “Senhor”, tratou de proclamar-se um aliado do empresariado. Mais na última do que naquela, mas de qualquer maneira um amigo da iniciativa privada, mesmo porque esquerdismo não enche barriga.

NA GRAXA

Ou não enchia. Na “IstoÉ”, Mino publicou, em 1979, uma histórica capa de Lula em que ele se dizia um metalúrgico que só punha a mão na graxa, não na política. No ano seguinte fundaria o PT.

ECONOMIA TRIUNFANTE

Quando criou a “Carta Capital”, mais uma de suas variantes de revista de informação de toque empreendedor, Mino tratou de ser fiel ao nome.

Capitalismo triunfante e moeda estável era tudo o que ele queria. Mas veio a derrocada.

PINTURA

É difícil explicar por que “Carta Capital” transformou-se em “mídia progressista” – as aspas são necessárias para designar algo que todo veículo de comunicação deveria ser. Interessada, por exemplo, em dar uma pintura de esquerdismo a regimes totalitários como o da Venezuela ou justificar o assalto aos cofres do governo petista.

R$ 3 MILHÕES

Um sinal de fumaça agora pode explicar o que ocorreu. Delação premiada da Odebrecht mostra que a revista de Mino Carta recebeu R$ 3 milhões do departamento de propinas da empreiteira. Tratou-se de um “empréstimo” que se converteu em publicidade. Sim, há outros casos semelhantes e talvez envolvam revistas de cunho conservador, mas creio que não se viu nunca antes na história denúncia tão desnuda, ao menos envolvendo a mídia.

VELHO EDITOR

Já se sabia dos blogs de aluguel, dos sites de aluguel e dos manifestantes de aluguel que ora ou outra saem empunhando bandeiras por motivos vários (nem sempre ideológicos). Mas o que leva uma revista, comandada por um jornalista de renome, adotar um caminho que ele mesmo sempre combateu?

É uma resposta que só o velho editor pode dar.

Leia Também

Leia Também