
Outro tapetão no Campeonato Paranaense de Futebol, desta vez envolvendo o J. Malucelli, e a competição, que já era desesperadora, ganha contornos improváveis. Vão os torneios, vão os atletas, vão os cartolas, mas o cronista fica. Carneiro Neto é um deles. A testemunha ocular, como se dizia antanho, quando o futebol era chamado de esporte bretão, o goleiro de goal-keeper e a bola de pelota.
INCANSÁVEL
Carneiro Neto poderia estar cansado de tudo isso. Não está. É infatigável. Dia desses escreveu coluna na Gazeta do Povo, lamentando o cenário do futebol e a decisão do STJD, a corte suprema do futebol, que retirou 16 pontos do J. Malucelli por escalar um jogador irregular. Botou tudo a perder na fase final do torneio estadual. Triste.
Age-se lentamente. Julga-se lentamente. E quando, enfim, vem o veredito, o condenado não é a equipe, mas o público que pagou e prestigiou os jogos. Carneiro Neto sabe disso muito bem.
PARA OUVIR NO RÁDIO
Viu, leu e ouviu, porque futebol se ouve também nos radinhos ou no celular, para que se dê vida à partida, quando ela carece de vida. Carneiro Neto já foi tudo no futebol com a condição de ser também jornalista. Locutor, comentarista, apresentador, cronista. Os mais antigos lembram-se dele percorrendo as redações no fim da tarde domingo, começo da noite, trazendo à mão um disquete que continha a sua coluna do dia. Ele acabara de participar da transmissão de uma partida de futebol, participara da rodada esportiva e ainda escrevera a coluna a tempo de entregá-la para impressão.

STATUS
Carneio Neto também é um escritor. Um escritor de futebol, como foi Mário Filho, como foi Vinícius Coelho. O livro que escreveu sobre o Atletiba, juntamente com Coelho, ainda circula nas bancas e, principalmente, nos sebos, símbolo de status para qualquer obra de tiragem respeitável.
É uma enciclopédia das histórias bem-humoradas do futebol, dispersas aqui e ali em seus livros. Falta agora reuni-las para que não se percam na memória.
SEM FUTEBOL NA TV
Certamente, não é com bom humor que Carneiro Neto vê o atual estágio do futebol paranaense. Por conta de disputas comerciais, o telespectador foi privado das partidas dos grandes times do futebol na televisão aberta. A certa altura até mesmo as transmissões radiofônicas estiveram comprometidas, por conta de supostos direitos reclamados pelos clubes. Sem o rádio, a grama não nasceria nos campos de futebol. Estaríamos sendo embalados por uma várzea suburbana, protagonizada por um beque de fazenda e um atacante rechonchudo de meias baixas.
O profissionalismo deve muito ao rádio. A popularidade do futebol, que monopoliza o esporte no Brasil, deve muito ao rádio.
E mesmo diante dos atrapalhos, Carneiro Neto continua. Já se disse: ele merece o céu.
