
O prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo deveria adotar o estilo do colega João Doria Jr. e experimentar uma viagem de ônibus. Do Santa Cândida ao centro. De Almirante Tamandaré ao Fazendinha. Seria didático.
ABALO
Ao longo da longa greve de oito dias de motoristas e cobradores de Curitiba, ele evitou falar. Por certo decretou ele mesmo uma ‘greve de silêncio’. Logo Greca, tão loquaz.
O fato é que a paralisação abriu uma fenda nas relações entre o prefeito e o curitibano. Por se tratar de serviço essencial, imprescindível, inadiável, exige-se uma negociação rápida e a observação da lei no caso da frota mínima nas ruas. Nada disso foi respeitado. A prefeitura e a Urbs, empresa a ela subordinada, esperaram o desenrolar dos acontecimentos com parcimônia espantosa.
O resultado foi deveras duvidoso. Como parte do acordo, o vale-refeição subirá de R$ 500 para R$ 575 com o auxílio luxuoso do Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC) que, com o perdão da similitude com a palavra inglesa de baixo calão, diz muito sobre o acordo. Lesa-se o usuário mais uma vez. Não o empresário.
TROCANDO BOLAS
Talvez a negociação ocorresse mais fácil se a prefeitura não tivesse invertido a ordem dos fatores. Concedeu o reajuste da passagem antes da campanha salarial e deixou os empresários à vontade para impor a resistência, sob a alegação de que houve uma queda do número de usuários no último ano. Não é o que se vê nas longas filas dos terminais.
FOTO REVELADORA
A foto que flagra Rafael Valdomiro Greca de Macedo “desfrutando” da companhia de um empresário do transporte urbano no Country Club, em happy hour, três dias após o anúncio do aumento da tarifa de R$ 3,70 para R$ 4,25, ainda não foi devidamente digerida pelo respeitável público. O material foi publicado primeiramente pelo jornalista Celso Nascimento na Gazeta do Povo.
AMARGO
O prefeito, ao que se sabe, recusa conselhos de seus assessores diretos, principalmente os da Comunicação, e adotou o hábito de cerrar as portas do gabinete para folhear as “páginas do ressentimento” que colecionou quando viveu um quase ostracismo nas duas últimas décadas.
MUITO POUCO
Em três meses de governo, Greca só fez lavar as calçadas da Rua XV de Novembro. Foi o seu único ato administrativo até agora, afora determinar o aumento das passagens. Pouco para quem prometia transformar a cidade.
E agora, ao que se sabe, está presidindo reformas que vão afetar vida e rendimentos de funcionários, as reservas do IPMC e outras cositas más.
Enfim, esse é o Rafael Valdomiro modelo 2017, 61 anos, que, me lembro bem, quando ainda militando ao lado de seu criador – Jaime Lerner – só chamava o urbanista de “o velho”, em dias que Jaime tinha se tornado sexagenário.
A língua é mesmo chicote da b….
