
Um dos personagens do “Encontros do Araguaia”, livro que está colecionando entrevistas com alguns dos protagonistas da história do Paraná, ex-ministro de FHC, e ex-diretor-geral da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, tem muito o que contar. Ele foi testemunha ocular dos acontecimentos recentes que deram formatação à nova democracia brasileira. Particularmente na Constituinte de 1986 e na formatação do PSDB, de que foi um dos fundadores.
BERÇO POLÍTICO
Nascido em berço gaúcho, em Nova Prata, cidade de colonização italiana, em 16 de setembro de 1932, Euclides Girolamo Scalco fez do Paraná o seu berço político. Foi em Francisco Beltrão, cidade do Sudoeste do estado, que sedimentou a sua carreira como vereador, prefeito e depois deputado federal constituinte, em 1986. Scalco foi também chefe da Casa Civil do governo José Richa, fundador do PSDB, líder partidário, coordenador de campanhas tucanas e diretor-geral da Itaipu Binacional na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

RAÍZES
É um guru na melhor acepção da palavra. Hoje, aos 84 anos, continua atuando como conselheiro político do alto escalão do tucanato, mas sua atenção tem sido atraída também para outro lado: a busca de suas raízes.
RESISTÊNCIA
Scalco, que tem ascendentes apenas italianos, parte de pai (Elias Scalco) e de mãe (Adele Zanotto Scalco), fez uma longa pesquisa em busca das origens de sua família. Através de consultas a guias de endereço e listas telefônicas, fez contato com várias pessoas de sobrenome Scalco na Itália. Enfrentou resistências e desconfianças, uma vez que a Constituição italiana permite a imigrantes reivindicar heranças.
REENCONTRO
Não desistiu. Tempos depois, durante uma missão oficial, conheceu uma senhora inglesa que havia vivido no Brasil e era casada com um italiano. Foi através dessa feliz coincidência e da boa vontade expressa do casal que veio a conhecer Dante Scalco, um tio, irmão de seu pai. Estabelecido o contato, Euclides Scalco soube que ele fizera uma árvore genealógica que seguia a ascendência da família até seu tataravô. Scalco diz que foi uma descoberta emocionante. De súbito, ele reconhecia na Itália o seu segundo país, não apenas pela sua origem italiana, mas pelas pessoas que viveram um dia e vivem hoje as lembranças de uma família que ganhou o mundo e que, mesmo assim, conseguiu se reencontrar.
NOMES HISTÓRICOS
O livro “Encontros do Araguaia” é organizado por este jornalista e conta com a participação de jornalistas e advogados. O trabalho teve início no fim de dezembro de 2016 e deve prosseguir até o fim deste semestre. Já foram entrevistados Álvaro Dias, Jaime Lerner, Francisco Borsari Neto, Osmar Dias, René Dotti e João Elísio Ferraz de Campos, além de Euclides Scalco, cujo depoimento exigirá uma segunda rodada, marcada para 1º de abril. O livro não tem data de lançamento definida.
