terça-feira, 5 maio, 2026
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A MANIFESTAÇÃO QUE VIROU COMÍCIO

As manifestações contra a reforma da Previdência em 19 estados poderiam ter sido um protesto apartidário como foram aquelas que levaram milhões de pessoas às ruas em 2016. Poderiam. A participação de Lula descredenciou-as todas.

Mas quando Lula surgiu no alto de um carro de som para discursar, o que era manifestação virou comício. Um comício carente de credibilidade. Ora, Lula é réu em quatro processos da Lava-Jato. Um dia antes prestara depoimento na Polícia Federal, em Brasília, atuando segundo o texto de seu script. “Eu não sei de nada”.

NÓS CONTRA ELES

Um ato antirreforma ou anti-Temer não deveria ser um ato pró-Lula, ainda mais porque reforça o velho discurso do “Nós” contra “Eles” tão propalado pelo PT. Ao permitir que o líder petista usasse a manifestação para lançar suas diatribes contra o “golpe” e contra a “Lava-Jato” legitimou o governo Temer, o Congresso e todos os envolvidos no escândalo de corrupção da forma mais nefasta.

FORA OS POLÍTICOS

É procedente lembrar que, ainda que contaminada de forma velada por grupos partidários (ninguém pede carteirinha), as manifestações que ocorreram no ano passado só se legitimaram porque abandonaram as bandeiras (a não ser a do Brasil) e proibiram o acesso de políticos ao palanque. Na Paulista, a mesma que recebeu o ex-presidente Lula em um tapete de cor vermelha, os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin não tiveram vez nem voz. Uma decisão acertada porque ambos foram citados na Lava-Jato. Se subissem ao palanque, a credibilidade das manifestações estaria comprometida.

QUANDO VIRA BAGUNÇA

Há ainda outra observação a fazer: a participação de sindicatos no ato contra a reforma da Previdência era previsível, mas não deveria ser única. Em uma tarde de quarta-feira, é comum que as centrais convoquem seus filiados, distribuam lanches, bonés e camisas vermelhas e engrossem a passeata. O problema é quando só isso se torna visível. Uma multidão rubra ocupando os espaços sem saber muito bem o que está fazendo ali. E se tomam as ruas, como já havia sido anunciado previamente, não deveriam tomar as rodovias, causando congestionamentos gigantes e prejuízos incontáveis. Toda vez que o cidadão assiste a tudo pela TV, deve se perguntar: mas não há lei para isso? Há, mas não é cumprida.

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