terça-feira, 5 maio, 2026
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“Aparelhos sucateados e doses erradas afetam combate ao câncer de mama”

Linei Dellê Urban
Linei Dellê Urban

Linei Dellê Urban, médica radiologista, presidindo desde 2006 a Comissão Nacional de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia, é rara apóstola na prevenção do câncer de mama. Há dez anos atua em Curitiba no DAP, diagnósticos por imagens, hoje fazendo exclusivamente mamografias, a partir de cujos diagnósticos encaminha (ou não) pacientes para novos procedimentos médicos.

Mas ela tem é uma básica preocupação: quer que seu trabalho some no grande esforço nacional de prevenção do câncer de mama.

Se não chega a ser exatamente otimista com a maneira como o Brasil encaminha a questão, ela reclama do não cumprimento pelos Estados (e Ministério da Saúde) da determinação de universalizar os exames mamográficos para mulheres acima de 40 anos. O poder público atende – quando atende – basicamente só mulheres acima dos 50, o que, na maioria dos casos, “pode ser tarde” para a prevenção do câncer.

E esclarece: existe decreto do tempo de Lula determinando a obrigatoriedade de a mamografia ser ofertada a mulheres a partir dos 40.

NO PARANÁ, 23%

Linei acha que as coisas andam mal em geral: no Paraná, diz, apenas 23% das mulheres na faixa acima dos 40 anos estão sendo atendidas com acesso à mamografia. O que, no entanto, é muito melhor do que em certos estados, como os do Norte, onde apenas 15% das mulheres têm acesso à mamografia. SP e RS, garante, ainda estão abaixo do desejado, mas chegam a atender 30% do universo que requer o exame.

SUCATEAMENTO

O olhar e as atenções de Linei, na qualidade de coordenadora da Comissão Nacional de Mamografia, concentram-se em algumas ações que estão fazendo uma boa diferença nas estatísticas da saúde da mulher brasileira. A ponta de lança de seu trabalho é a Campanha Nacional de Controle de Qualidade de Mamografia. A expectativa é de cobrir todo o Brasil, atingindo (um sonho) os 5.200 mamógrafos espalhados de Norte a Sul.

Muito importante para o sucesso da campanha é o selo de qualidade que distribui. Os centros de diagnósticos mostram-se extremamente receptivos à Campanha e alentam-se com a outorga do selo.

DOSAGENS

Para Linei, o “susto”, no entanto, pode ser grande se a questão for olhada pela fria realidade: boa parte dos mamógrafos está sucateada, dependendo de calibragem correta. E tão grave quanto isso – reclama – são os exames feitos sem a perícia devida, como, por exemplo, quando as dosagens são inadequadas às necessidades da paciente. Nesses casos, ao contrário de prevenção, podem gerar tumores.

BOA VONTADE

Essa campanha que a Comissão Nacional de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia vai desenvolvendo é apoiada pela Sociedade Brasileira de Mastologia e Federação Nacional de Ginecologia e Obstetrícia.

Outro dado revelador de quantos cuidados a mulher deve ter com a mama é dado por Linei ao alertar para o alto índice de câncer de mama em adolescentes. Fatores genéticos, assegura Linei, estão por trás dessa realidade.

FALANDO EM CHICAGO

Em 2014 Linei teve parte de seu papel reconhecido pelos especialistas de todo o mundo que a ouviram falar, num dos auditórios principais do evento, sobre suas experiências de prevenção no Brasil. Foi durante o Congresso Internacional de Radiologia que reuniu em Chicago 25 mil especialistas.

Dos raros brasileiros convidados para falar no congresso, Linei considera que lá teve oportunidade de, “de alguma forma”, dar eco mais amplo às suas batalhas.

Precisa agora ser bem escutada e acatada em sua casa, o Brasil.

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