
João Doria vestiu-se de gari e foi varrer uma rua de São Paulo logo no início de seu mandato. Foram segundos de trabalho. O suficiente para o registro das imagens. Fez isso novamente quando decidiu pintar os muros pichados da capital paulista. Agora é a vez de Rafael Valdomiro Greca de Macedo. O prefeito de Curitiba surgiu diante das câmeras lavando a calçada da Rua XV.
O QUE PARECE INSOLÚVEL
A degradação avança pela região central de Curitiba e parece insolúvel.
O prefeito talvez recusasse qualquer ideia de erguer um chafariz feioso interrompendo o fluxo dos passantes bem no meio da Rua XV. Mas está ali.
Ele provavelmente não admitiria que uma árvore de Natal horrenda fosse construída no limiar do calçadão e da Marechal Floriano a atrapalhar o tráfego. Mas ela esteve ali. Por sorte, desconstruiu-se logo após as festas de 1998. Para nunca mais voltar.
MÜNCH
A crise, contudo, é impiedosa e a fealdade está na natureza de sua devastação. Lojas fechadas, ruas sujas e depauperadas, mendigos a pintar nos panos que os cobrem o grito de Münch do desespero e da miséria.
VARRE, VARRE
Em 1960, um deputado de nome Jânio Quadros, candidatou-se à presidência da República prometendo varrer a corrupção do país. O jingle de sua campanha ficou famoso: “Varre, varre, vassourinha”. Foi um mau presságio. Ficou sete meses no poder, renunciou alegando ser assombrado por forças terríveis e acabou por apertar o gatilho de uma crise que irromperia no golpe militar.
CIDADE LIMPA
Mais de meio século depois o país ainda vive enlameado na corrupção, mas não é disso que tratam os novos prefeitos do país. Não no momento. Eles querem limpar a cidade de fato, soprar novos ventos e quem sabe abrir as portas para um país mais justo e honesto. É simbólico, mas pode inspirar os homens de bem.
