Há algo de Lula em Trump. Há algo de Trump em Lula. A começar pelo partido que representam: o próprio. Em seu discurso de posse Trump apelou para o populismo ao apresentar-se como o único presidente que, enfim, governaria para os pobres. Quase repetiu o mantra: “Nunca antes na história”.
NÓS E ELES
Estabeleceu o “nós contra eles” mesmo governando para toda a população, numa mistura inconsequente de pronomes pessoais. Eles são os outros. Nós é ele. Lula sempre proclamou-se o salvador da pátria. Trump é o salvador do mundo. O mundo dos americanos, claro.
IMPERADOR
Quando o presidente americano diz: “America first”, ele quer dizer que, em seu governo, os interesses americanos estarão em primeiro lugar. E só fará acordos comerciais com aqueles que pensarem da mesma maneira. Lula se proclamou Imperador do Hemisfério Sul e só estabeleceu pactos comerciais, de investimento e de ajuda financeira com os países que afinavam-se à mesma política de seu benfeitor. A saber: Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador.
EXCLUÍDOS
Por que, então, Lula parece aos olhos do mundo um libertador dos povos e Trump é visto como o indesejado das gentes? Porque a esquerda sempre foi considerada como algo revolucionário e benéfico, mesmo diante de atrocidades.
A expulsão de uma massa de trabalhadores para o desemprego deveria ser vista como um êxodo de 40 anos no deserto. Mas não é. Por que Trump venceu? Pelo mesmo motivo que levou Lula à vitória. Uma massa de excluídos, no caso o americano de classe média sem formação superior, viu nas promessas do empresário americano uma saída.
AMIGO DO PEITO
O que virá nos próximos anos de governo Trump? Não sabe. Ele mesmo desconhece. Mas se Lula precisar falar com alguém nos EUA já tem um amigo para chamar de seu.
