
As pessoas mais próximas de Rafael Delly sabem que ele sequer cumprimentava Rafael Waldomiro Greca de Macedo nos seus últimos anos de vida. E que as disputas entre eles não foram poucas; em muitas delas Dely levando a pior, apesar do seu exuberante talento, honestidade em todos os planos, e enorme capacidade criativa em matéria de Curitiba. Conhecia a cidade no mesmo nível que Jaime Lerner, tendo sido parte do tripé que, na equipe de JL, fez a revolução urbana a partir de 1971. Desse tripé faziam parte também Nicolau Kluppel e Ceneviva. Cassio Taniguchi era essencial da equipe, mas concentrado especialmente nas questões operacionais.
Dely era um PhD em Urbanismo, e foi com certeza a mais cintilante presença na equipe de Jaime Lerner, de quem era amigo, irmão (com direito a muitas brigas, como em qualquer fraternidade) e conselheiro prudente.
SURPRESA: DISCURSO
No entanto, na noite de segunda, 23, nas Livrarias Curitiba, deu-se o “milagre” que só os palanques políticos fazem: o discurso abrindo a noite do lançamento do livro “Fazimento de uma Cidade, Curitiba”, foi do prefeito Greca de Macedo. Com todas as expressões de dita ‘amizade’ e reconhecimento à obra de Dely, autor do livro, junto com o jornalista Marcelo Oikawa.
AS FILHAS
As filhas de Dely – Julia e Paula -, e a ex-mulher, Lídia, estiveram lá. Assim como o secretário da Cultura do Estado representou o governador Beto Richa.
Velhos amigos como Nilson Monteiro (por anos braço direito de Dely na Cohapar), Luiz Eduardo Veiga Lopes (ex-diretor de Itaipu e que chefiou também o gabinete de Dely na mesma Cohapar), Reinhold Stephanes, Ilana Lerner (representando o pai, Jaime Lerner), Mônica Rischbieter, o deputado federal Rubens Bueno, Carlos Eduardo Ceneviva, dezenas de ex-colaboradores e amigos dos dois autores. Apareceu gente de Londrina para o lançamento, homenagem a Oikawa.
NÓS SABEMOS

Jaime Lerner, Veiga Lopes, eu, David Campos, Celso Nascimento, Eduardo Sganzerla, Carlos Eduardo Ceneviva, o filho de Dely, Alex, fomos das inúmeras testemunhas que presenciaram esse “desconhecimento” que o criador do Trinário do sistema viário votava ao atual prefeito.
Há mesmo aquela história do total gelo que explicitamente Rafael Dely votou a Greca, durante voo a Brasília. Foi testemunhado, com constrangimento, por muita gente, como um jornalista acima de qualquer suspeita, cujo nome omito, a pedido, mas sei que passou pela assessoria da presidência de RD da Cohapar: Greca de Macedo (acompanhado do assessor Alexandre Teixeira), foi solenemente ignorado por Dely: “O hoje prefeito ficou com cara de tacho, mas Dely o desconheceu totalmente, diz minha fonte.”
E inúmeras outras geladas ocorreram.
Dely proclamava não perdoar traições.
MEMORIAL DE CURITIBA
No caso do Memorial, o livro “Fazimento de uma Cidade”, de Dely e Marcelo Oikawa, apresenta argumentos de Rafael Dely em favor do projeto que elaborara para o espaço. Um deles, muito consistente, o fato de o seu prever ampla área de estacionamento para os frequentadores, e que conseguia não interferir no exíguo espaço do setor Histórico.
