
Enquanto se aguardam desdobramentos da decisão da juíza federal sobre a locação de horários de emissoras a igrejas, em Curitiba começa-se a discutir a questão de programas religiosos – de igrejas – na Rádio e Televisão E.Paraná, a emissora educativa do Estado.
Nada mais justo que igrejas evangélicas tenham seu espaço na emissora, se levarmos em conta apenas a questão da isonomia: se padres católicos têm programa na emissora cultural oficial, por que abrir espaço também a pastores? E, por que não, a umbandistas e espíritas?
A questão tem desdobramento: diante das centenas e centenas (talvez milhares) de denominações evangélicas, qual delas terá direito a um naco na programação da E.Paraná?
E agora vem mais um problema, que o diretor da emissora (Sergio Kobayashi) terá de resolver: ele estaria ainda disposto a manter o projeto de cobrar das igrejas pelos horários de padres e pastores?
O diretor da E.Paraná, um descendente de nipônicos, tal como a juíza Serizawa, deve admitir que a magistrada tem bons fundamentos para considerar ilegal locação de horários a igrejas. Afinal, preparo não lhe falta: foi assessor do senador José Serra, presidiu a imprensa Oficial de São Paulo e teve capital papel na campanha de Beto Richa ao Governo, atuando na sua especialidade maior, as redes sociais.
O que não se sabe é como Kobayashi – e o Governo em si – desatarão ‘puzzle’ que será a distribuição isonômica de horários na emissora educativa do Estado. Pois, afinal, bem ao contrário da Igreja Católica – que é uma e tem autoridades tem definidas – as igrejas evangélicas podem beirar o milhar, diferentes entre si, sem unidade administrativa ou doutrinária.
