quinta-feira, 23 abril, 2026
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“Vozes do Paraná 8”: Ari Faria Bittencourt: o elixir do balcão

Ari Faria Bittencourt: tradição e trabalho
Ari Faria Bittencourt: tradição e trabalho

Aos 79 anos, Ari Faria Bittencourt é a melhor imagem de quanto o mundo das lojas é uma espécie de elixir na vida desse empresário. Pois foi a partir de seus 21 anos, em 1958, vivendo (por primeiro) do comércio tradicional em Cerro Azul – aquele tipo “secos e molhados” – que esse “príncipe dos comerciantes paranaenses” impôs-se como referência.

Qualidade que depois trouxe para Curitiba e viu se multiplicar Paraná afora.

Há 18 anos, por exemplo, preside o Sindicato dos Lojistas de Curitiba, com área territorial extensiva à sua Região Metropolitana, 21 cidades, compreendendo 18 mil lojistas. Trata-se de recorde de permanência na posição. Isso se explica pela liderança segura que esse cavalheiro, sempre vestindo “ton sur ton”, clássica herança do comerciante de confecções que é, vai registrando por onde passa.

2 – DIPLOMATA

Darci-eAmigos mais próximos louvam-lhe a diplomacia. “Ele tem fair play, com preparo psicológico para engendrar soluções em momentos difíceis. Nada parece abalá-lo”, diz um deles, Odone Fortes Martins, vice-presidente da Associação Comercial do Paraná.

Tantos qualificativos poderiam parecer suspeitos, coisa de um clube de elogios mútuos. Mas não, ele é mesmo unanimidade no mundo empresarial e nas dezenas de entidades em que atua como conselheiro, além da poderosa Fecomercio do Paraná, da qual é primeiro vice-presidente, aquele que substitui, sempre que preciso, o presidente Darci Piana.

E por isso, não são poucas as vezes em que Ari tem estado no mundo decisório da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília e Rio, ou em encontros empresariais nacionais, como aconteceu em junho deste 2016, quando – com dezenas de outros empresários brasileiros –almoçou com o presidente Michel Temer no Palácio Jaburu. E foi chamado por ele– diz – de “meu amigo”, numa prova de consideração que Ari não esquece. Até tirou uma selfie com o presidente.

3 – COMO COMEÇOU

A conversa pode mudar bruscamente de rumo quando se indaga de Ari como começou no mundo sindical patronal e sobre a história do próprio Sindilojas de Curitiba. Mostra-se interessado pelo assunto, com comedido entusiasmo, como é de seu feito, com sua fala educada e olhar de quem faz viagem ao passado. Mas com pouca nostalgia, prefere o presente e olha bastante para o futuro, é o que depreendo de nossos diálogos.

No entanto, não deixa sem resposta minha curiosidade sobre o Sindilojas.

Assim, com precisão, vai me citando nomes que o precederam no sindicato, (hoje dono de imóveis valiosos em Curitiba, um deles o prédio em que o presidente Ari Bittencourt despacha com auxiliares e conselheiros). Seus predecessores foram nomes como o do diretor jurídico Jorge Manne, filho de sírios cristãos que recentemente ganhou viagem para visitar a terra de seus pais, dada pelo Sindilojas. “Ele completou 54 anos de atividades conosco. Mas ainda não decidiu usufruir do presente”, lamenta Bittencourt.

As grandes lideranças classistas desse Sindilojas de Curitiba estão presentes em retratos feitos a óleo por um argentino, cujo nome Ari não lembrou na ocasião. Não são muitos. Mas todos expressivos, fortemente ligados à vida de Curitiba no século 20 e com os quais Ari conviveu.

Corre que a pintura foi feita a dedo pelo portenho.

Cita de forma especial o antológico Nicolau Abagge, supermercadista que um dia expôs seus talentos de lojista no Supermercado Abagge, na Praça Zacarias. “Os mais antigos se lembram bem dele”, acentua, para recordar que foi pelas mãos de Abagge que, em 1973, entrou na vida sindical patronal, depois de muito relutar.

(trechos do perfil de Ari Bittencourt em volume 8 do meu livro “Vozes do Paraná – Retratos de Paranaenses”, a ser lançado em 6 de outubro, no Palacete dos Leão, em Curitiba).

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