Em entrevero verbal com o também vereador Prof. Euler, o petista condenou o projeto de Cidadania Honorária ao Delegado do Meio Ambiente. Diz que o policial é perseguidor político…
O noticiário desta tarde da Câmara Municipal de Curitiba revela outro ângulo deo trabalho de plenário: os bate-bocas, ou entreveros verbais entre parlamentares. O desta terça, 8, dá-se entre o petista Renato de Freitas – que já está na mira da Comissão de Ética da Câmara -, e o professor Euler, do PSD. Acompanhe o resumo:
SEGUNDA VEZ
Pela segunda vez consecutiva esta semana, a votação em primeiro turno do título de Cidadania Honorária ao delegado da Polícia Civil do Paraná, Matheus Araújo Laiola, foi adiada na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). O debate, que chegou a ser iniciado após quase três horas de discussão sobre o projeto que proibia a lavagem da calçada com água potável, foi interrompido devido ao fim do horário regimental. Outra proposta que estava na ordem do dia desta terça-feira (8), a alienação de terreno público no bairro Uberaba também não chegou a ser votada. Com isso, as duas iniciativas retornam à pauta desta quarta-feira (9).

OLHAR DE EULER
A Cidadania Honorária ao delegado Matheus Laiola (006.00001.2021) é de iniciativa de Professor Euler (PSD), que chegou a pedir a prorrogação da sessão plenária para falar sobre o homenageado. O vereador destacou a experiência do profissional nas delegacias do estado.
Ele, que é natural de Cândido Mota (SP), assumiu o cargo na Polícia Civil do Paraná em 2008, passando pelas delegacias de Toledo, Realeza, Castro e Foz do Iguaçu. Atualmente chefia a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). “Nas delegacias em que esteve à frente estava acostumado com centenas de boletins de ocorrências e sentiu-se inquieto já que na DPMA não passavam de cinco ao dia. Após se inteirar do trabalho percebeu que as ocorrências da DPMA não estava nos B.Os, mas nas 30 denúncias diárias que chegam via 181 e 156.
RESGATES DE ANIMAIS
Só no ano de 2019, foram resgatados mais de mil animais, 110 pessoas detidas e R$ 500 mil em multas. No ano de 2020, os números de resgates superaram a marca de 1.500 vidas salvas. Por conta do trabalho que exerce com excelência, incontestavelmente, tornou-se referência da polícia paranaense, razão pela qual merece reconhecimento”, disse o parlamentar.
Mesmo frisar que Matheus Laiola é “um fenômeno nas redes sociais”, cuja notoriedade se dá em razão do seu trabalho na questão do meio ambiente. E frisar que só “escolhe pessoas que realmente merecem a honraria”, Professor Euler foi criticado por sua escolha por Renato Freitas (PT).

O OLHAR DE FREITAS
Segundo o vereador, o delegado não deveria receber nenhum tipo de honraria, porque “utiliza o cargo para fins de perseguição política”. “Ele teve a coragem, a audácia de pedir para um promotor de Justiça, bem como para um juiz da comarca de Curitiba, para que efetuassem na minha casa uma busca e apreensão para encontrar uma lata de spray; e nessa busca e apreensão, pegar meu notebook, meu celular, um HD, os cadernos que anoto minhas coisas, a fim de encontrar mais provas de pichação”, argumentou.
NO CARREFOUR, CONFIRMA
O fato citado por Freitas se refere a uma manifestação que ele fez no final de 2018, quando já estava eleito vereador, no Carrefour de Curitiba. “Eu fiz e de fato não nego. Faria novamente. Eu escrevi ‘a injustiça praticada em um lugar ameaça a justiça de todos os lugares’. E escrevi no Carrefour, depois do supermecado ser responsável pela morte violenta de uma pessoa negra, num ato de racismo estrutural. E escrevi com uma lata de spray e ele se utilizou da oportunidade para destruir minha imagem pública. E o promotor obviamente falou que aquilo era desproporcional e tinha indício de perseguição política”, afirmou. O debate entre Euler e Renato Freitas, no entanto, precisou ser interrompido pelo presidente da CMC, Tico Kuzma (Pros), devido ao fim do horário regimental da sessão plenária. Com isso, a discussão será retomada nesta quarta-feira.
