terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Verdades e sussurros sobre a saída de Samek de Itaipu

Jorge Samek, Valdomiro Cantini, Paulo Bernardo e Dilma Rousseff.
Jorge Samek, Valdomiro Cantini, Paulo Bernardo e Dilma Rousseff.

Há muita controvérsia sobre a possível mudança de diretor geral brasileiro da Binacional Itaipu.

Pelo que foi noticiado na semana, a partir de nota em coluna política de O Globo, Jorge Samek seria substituído pelo ex-ministro Paulo Bernardo, que o ocupou o Ministério do Planejamento no primeiro governo Dilma, casado com a senadora Gleisi Hoffmann.

A assessoria mais imediata de Samek, a quem consultei, disse-se totalmente “surpresa” com a informação. E assegurou há poucos dias o diretor geral de Itaipu esteve mesmo reunido com a presidente em Brasília e que ela nada lhe falou sobre o assunto. “Tudo correu normal nas conversações”, garantiu-me.

“Pode ser balão de ensaio, sabe lá com que propósito”, disse um assessor da área técnica de Itaipu, ontem, ao mesmo tempo que informava da “grande comoção provocada pelo noticiário, tanto no Paraguai quanto no Brasil”.

Samek, sabe-se é uma espécie de unanimidade em Foz e no Paraguai. “Ele é um vice-rei muito querido”, registrou o mesmo assessor.

2 – A SURPRESA DE BARROS

A surpresa foi manifestada também pelo deputado federal Ricardo Barros (PP), em entrevista na quarta-feira à CBN de Cascavel.

Barros elogiou a obra de Samek. Mas não fez qualquer restrição ao nome de Bernardes, de quem sempre se disse amigo.

Outra fonte da coluna, de Curitiba – e notoriamente bem informada do que se passa no meio político paranaense -, dizia-se “frustrada” com o noticiado.

Explicou: “Eu tinha essa informação há 8 dias, mais fui fiel ao pedido de sigilo, mantive o “off” que me pediram…”

3 – PERDEU O ‘FURO’

E mais assegurou esse jornalista que se diz “doente” por ter perdido o furo: “O que me informaram na ocasião é que Samek, em reunião recente com a Diretoria de Itaipu (brasileiros e paraguaios), foi claro ao informar ao colegiado em tom oficial: a presidente Dilma o teria avisado de que deveria deixar o cargo, a ser ocupado por outra pessoa. Não mencionou, na ocasião, o nome de Paulo Bernardo como seu possível sucessor.

Para alguns analistas, o que pode estar ocorrendo seria um balão de ensaio, com vistas a abrir portas para o PMDB ou outros aliados do Governo na Binacional.

A mudança eventual faria parte do pacote Agenda Brasil, uma contrapartida não escrita, mas bem definida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, para sustentar seu apoio a Dilma?

4 – JANTAR COM DILMA

O deputado federal Ricardo Barros que participou recentemente de um jantar com a presidente Dilma Rousseff e com ministros do núcleo duro do Planalto, entre eles Aloisio Mercadante (Casa Civil), José Eduardo Cardoso (Justiça), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Jacques Wagner (Defesa), afirmou que não tem conhecimento da possível troca no comando da Itaipu – saída de Jorge Samek para a entrada de Paulo Bernardo.

Em entrevista ao jornalista Valdomiro Cantini, na CBN Cascavel, Barros afirmou que todas as escolhas no setor energético são da própria presidente Dilma Rousseff. “Ela já foi ministra da área de Minas e Energia e gosta de cuidar pessoalmente das indicações referentes ao setor”.

Barros afirmou que tem amizade e reconhecimento pelo trabalho de Samek e de toda a diretoria da Itaipu. “Acho que a Itaipu tem feito o seu papel e seu trabalho, mas eu vou me reservar a aguardar os fatos. Isso é uma decisão da presidente”, disse.

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