Assessoria – O início do ano letivo é um período estratégico para a prevenção de doenças imunopreveníveis entre crianças e adolescentes. De acordo com dados do Ministério da Saúde, apesar da recuperação gradual das coberturas vacinais após quedas registradas nos últimos anos, os índices ainda permanecem abaixo da meta ideal, especialmente em vacinas essenciais para o ambiente escolar.
Segundo a enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino, as férias escolares representam uma oportunidade concreta para que pais e responsáveis atualizem a caderneta de vacinação. “Janeiro concentra dois fatores importantes: maior disponibilidade das famílias e a necessidade de garantir proteção antes do convívio escolar intenso. Atualizar o cartão vai além de uma formalidade, é uma ação coletiva de saúde pública”, explica.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece um calendário que vai do nascimento à adolescência, com vacinas específicas para cada fase. Algumas protegem contra doenças mais graves nos primeiros anos de vida, enquanto outras são fundamentais para prevenir surtos em ambientes coletivos, como escolas. “Muitas vacinas fazem parte de esquemas em série, e a perda de uma dose pode comprometer significativamente a proteção”, reforça Elisa.
Dados do portal Serviços e Informações do Brasil indicam que, em 2024, a cobertura da tríplice viral ultrapassou 80% e a vacinação contra o HPV alcançou cerca de 75% do público-alvo. Apesar do avanço, os números ainda estão abaixo da meta de 95% e apresentam desigualdades regionais, o que mantém o risco de reintrodução de doenças já controladas.
A orientação é que pais e responsáveis levem o cartão de vacinação às consultas, verifiquem possíveis doses pendentes, especialmente nos primeiros anos de vida, e fiquem atentos aos reforços previstos ao longo da infância e da pré-adolescência. “Organização e informação fazem toda a diferença para garantir que a criança volte à escola devidamente protegida”, destaca a especialista.
Para Elisa Lino, o período que antecede a volta às aulas é decisivo para fortalecer a prevenção em saúde. “Quando a vacinação está em dia, todos ganham: a criança, a escola e a comunidade. A volta às aulas começa com prevenção”, conclui.
Vacinas recomendadas por idade:
- Ao nascer: BCG (dose única) e Hepatite B (1ª dose)
- 1 mês: Hepatite B (2ª dose)
- 2, 4 e 6 meses: Pentavalente (DTP/Hib/Hepatite B), Poliomielite (VOP/VIP), Rotavírus e Pneumocócica conjugada (VPC)
- 3 e 5 meses: meningite
- 9 meses: Febre amarela*
- 12 meses: Tríplice ou Tetra viral (SCR/SCRV) e reforços de pneumocócica e meningocócica
- 15 meses: Reforços de DTP e Poliomielite, Hepatite A e Varicela*
- 4 anos: 2º reforço DTP, reforço de Febre amarela* e Varicela*
- 9 a 12 anos (pré-adolescência): HPV e reforço dT/dTpa
* conforme indicação por área e calendário do PNI
