quinta-feira, 30 abril, 2026
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“Uma mulher forte” para o governo de Greca

Mônica Santana e Margarita Sansone
Mônica Santana e Margarita Sansone

Ontem, 29, nos arraiais do prefeito eleito, Rafael Valdomiro Greca de Macedo, dava-se como “mais ou menos certa” a escolha da jornalista Mônica Santana para a Secretaria de Governo da Prefeitura de Curitiba.

Essa Secretaria municipal corresponde à Casa Civil do Governo do Estado e à Casa Civil da Presidência da República. Considerada chave na administração da cidade, ela é ocupada até agora, com Fruet, por seu braço direito, o advogado Ricardo Macdonald.

REJEITADO

MacDonald, rejeitado por muitos, mas bem aceito, sobretudo no grupo próximo a Fruet, é considerado homem probo, mas de difícil diálogo numa posição em que dialogar é essencial. Mesmo assim ele conseguiu se equilibrar na difícil balança de troca de favores e cargos por apoio dos vereadores a Fruet na Câmara Municipal. Nisso teve sucesso, a peso, segundo denúncias repetidas do ainda vereador Jorge Bernardi, por trabalhar com a nomeação “de pelo menos 300 cargos em comissão”. E não são ‘carguinhos’. Alguns, para os vereadores mais sortudos (ou com mais densidade eleitoral e prestígio) chegaram a beirar aos dos secretários Municipais.

QUEM É ELA

Mônica, 55, hoje apontada como a eventual sucessora de MacDonald, é jornalista de longa história. Nos anos 1980, lá por 1984, ela foi transferida do Rio de Janeiro para o Escritório Regional da Empresa Brasileira de Notícias (EBN) do Governo Federal, que eu dirigia em Curitiba. A empresa foi sucessora da antiga Agência Nacional, e foi sucedida, depois, pela Radiobrás. Hoje é parte da Agência Brasil.

O pai de Mônica era agente da Polícia Federal, fazia parte da guarda pessoal do então presidente João Figueiredo.

Mônica chegou com a ousadia dos cariocas: bem-falante, personalidade forte – mas também sujeita a adaptações políticas quando um bem maior estivesse em jogo, num eventual confronto-, não teve dificuldades com o “leite quente”.

Tem um filho, que criou sozinha.

TÍMIDOS CURITIBANOS

Numa terra de muitos jornalistas quase sempre recatados e tímidos, Mônica não teve dificuldades de se impor. Trabalhou bem como repórter da Folha de São Paulo e Folha de Londrina, faça-se justiça.

Bem articulada politicamente, Mônica Santana logo foi assumindo novas posições. A mais marcante delas, a de consultora em Comunicação Social, ao lado de seu sócio Sergio Wesley. A dupla fundou uma empresa, acatada na área, a ainda existente NQM Comunicação, e trabalhou para alguns ases da política paranaense, como a senadora Gleisi Hoffmann, o empresário e ex-vereador Marcelo Almeida, a PUCPR, Rafael Greca de Macedo, etc. e muitos clientes da área privada.

MULHERES FORTES

Ontem, alguém das hostes do PMDB Municipal, analisava a eventual escolha de Mônica para a Secretaria de Governo de Curitiba, dizendo:

‘Se consumada a escolha dela, Rafael Valdomiro Greca de Macedo apenas dará sequência ao “ethos” de sua personalidade, que sempre demandou a presença de mulheres fortes ao seu lado. É o caso das tias (Chiquita, Mafalda e Loli), de Margarita Sansone, com quem se casou no civil em 2015, mas que o acompanha há 40 anos, e Tereza Castro, também jornalista.”

TEREZA, MINISTRA

Tereza Castro, funcionária do IPPUC, foi secretária de Governo na administração Greca de Macedo na Prefeitura. Na verdade, tinha o controle quase que absoluto da administração Municipal. Era tão forte a opinião dessa gaúcha na vida de Greca que ele a levou para ser secretária geral do Ministério do Esporte e Turismo, em sua gestão no Governo FHC. A jornalista chegou mesmo a ocupar interinamente a posição de ministra de Fernando Henrique, quando de uma viagem de Greca ao exterior.

AS CARTAS

Voltando ao hoje: de início, Mônica chegou a ser citada como “provável” secretária de Comunicação Social da Prefeitura. No entanto, para esse cargo, admitem fontes bem informadas, o nome mais viável seria o de Marcelo Cattani, que tem experiência ampla na área, tendo sido secretário de Richa na Prefeitura e no Governo, onde fez bom trabalho.

Ainda sobre o futuro imediato, fico com a observação-indagação de bem informados da área: será que Mônica terá a mesma abundância de cargos altamente remunerados (trezentos) – de que dispôs MacDonald para azeitar as relações do Executivo com a Câmara?

Velhas raposas políticas, como o sessentão prefeito Greca, sabem que, neste país, o ‘dá cá toma lá’ sobrepõe-se quase sempre a projetos em que o bem comum deveria comandar…

VELHA RAPOSA

Outra velha raposa política, dona de memória prodigiosa da política paranaense, e que conhece fio a pavio da vida pública de Greca, cravava ontem, a respeito:

– Do jeito que vai, e em cima das propostas mirabolantes como as sobre as quais se elegeu, Greca não terá alternativas senão até ampliar o “cardápio” de Cargos em Comissão para ganhar alguma tranquilidade para administrar com poucas turbulências.

Isso, é claro, sem dispensar a supervisão de mulheres fortes em sua vida pública, assunto que pode bem compor uma etnografia.

JOÃO ALFREDO

No fim da tarde deste dia 29, alguém do primeiro staff de Greca me garantia, pondo por terra minhas previsões: “Marcelo Cattani não deverá aceitar eventual convite para a Comunicação Social”. Nada mais disse.

Em compensação, todas as fontes admitiam: o homem forte mesmo do novo prefeito – além de Giovanni Gionédis, é claro – será João Alfredo Meyer Costa. Para ele, todas as portas da nova Prefeitura estarão à disposição de seu comando.

CHICO DO UBERABA

Por último, mas não menos importante, há que se levar em conta o vereador Chico do Uberaba, que abrigou amplamente Greca em seu partido, o PMN, e que, em contrapartida, deverá ter um bom naco de poder no grupo íntimo prefeitural.

Chico do Uberaba faz o perfil que se encaixa na proposta de Greca de aproximar-se da baixa renda, para acabar com a marca dolorosa do “não gosto do cheiro de pobre”.

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