segunda-feira, 9 fevereiro, 2026
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Tributação: como empresariado pode se preparar para 2026

Assessoria – O mercado mundial atravessa um período de transição marcado por tensões geopolíticas, reorganização das cadeias produtivas e desaceleração de grandes economias. Esse contexto reduz a previsibilidade e amplia o peso de fatores externos sobre países emergentes como o Brasil. Diante disso, compreender esses movimentos deve fazer parte da rotina da gestão para auxiliar as empresas na estratégia e nas tomadas de decisão.

Durante evento realizado pelo World Trade Center (WTC) Curitiba no último dia 4 de fevereiro, com apoio da Dourada Corretora de Câmbio, os especialistas Daniel Miraglia, diretor da Integral Group Investimentos, e Altair Toledo, da ToledoZanardo Estratégia Tributária, compartilharam suas visões sobre macroeconomia e tributação.

Análises técnicas para atravessar um ano marcado por eleições

De acordo com Daniella Abreu, presidente do WTC Curitiba, os encontros de início de ano são estruturados justamente para apoiar os empresários na interpretação desses cenários. “Foi uma oportunidade única de ouvir os especialistas com sua visão global e local, abordando aspectos sobre câmbio, bolsa de valores, commodities e ativos reais, além dos tributos que fazem parte do dia a dia do empresariado.”

Em um ano marcado por eleições e maior instabilidade, ouvir análises técnicas torna-se ainda mais relevante. “É um ano turbulento. Precisamos entender como diversificar portfólio, quanto investir no exterior, como tratar imóveis e atravessar esse período”, afirma.

Daniel Miraglia, diretor da Integral Group Investimentos, lembra que a economia é um sistema complexo, fortemente influenciado pelo comportamento humano e por variáveis internacionais. “O que acontece fora do Brasil explica a maior parte dos movimentos internos. Por isso, não existe fórmula pronta. Trabalhamos com cenários e probabilidades”, diz. É por isso que decisões sobre câmbio, juros e investimentos precisam sempre considerar o ambiente global, especialmente Estados Unidos e China.

Ano de 2026 exige leitura de cenários para mudanças ágeis

Miraglia destaca que o maior risco para o empresariado em 2026 não está necessariamente em uma variável isolada, como juros ou câmbio, mas na combinação de fatores globais e domésticos atuando ao mesmo tempo. “O ambiente econômico atual amplia a distância entre cenários possíveis. Isso exige humildade analítica e preparação para caminhos muito diferentes”, avalia. Para Miraglia, a leitura de cenários precisa substituir previsões lineares, incorporando margens de erro maiores e respostas mais rápidas às mudanças.

Outro ponto enfatizado pelo economista é a importância da diversificação como instrumento de gestão, e não apenas como estratégia financeira. Nesse sentido, diversificar envolve também mercados, moedas, modelos de negócio e fontes de receita. “Diversificar é criar estruturas que sobrevivam tanto a um cenário positivo quanto a um adverso”, afirma. Segundo ele, empresas que entrarem em 2026 excessivamente concentradas, seja em um único mercado, seja em uma única leitura econômica, tendem a sofrer mais em um ambiente marcado por volatilidade política, transição tributária e forte influência do cenário internacional.

Reforma Tributária e desafio para o empresariado

Altair Toledo, da ToledoZanardo Estratégia Tributária. Crédito: Antonio More

No plano doméstico, os desafios também são grandes, sendo que a implementação da reforma tributária representa uma das maiores mudanças dos últimos 30 anos. A convivência temporária de dois sistemas e a revisão de incentivos fiscais impõem ajustes operacionais profundos, com reflexos em logística, formação de preços e planejamento de longo prazo.

Altair Toledo, sócio da ToledoZanardo, avalia que a reforma exige preparação antecipada. “Planejamento tributário não se faz depois do fato ocorrido. As empresas precisam revisar estruturas, cadeias de fornecedores e estratégias antes que os impactos se consolidem”, aconselha. Ele destaca que setores como serviços tendem a sentir mais fortemente o aumento da carga tributária, enquanto indústria e varejo podem ter redistribuição de custos ao longo da cadeia.

As empresas terão de conviver com dois sistemas, revisar incentivos fiscais e reavaliar cadeias de fornecedores, preços e contratos ao longo de 2026. “Nunca vivemos uma reforma tributária dessa magnitude. Agora é fase de implementação e reestruturação, o que muda completamente a forma de operar das empresas”, orienta.

Resiliência e planejamento para os próximos anos

As mudanças econômicas iniciadas em 2025 apontam para um ciclo prolongado de adaptação. Juros mais altos, maior complexidade tributária e influência crescente do cenário internacional exigem governança, análise de risco e decisões baseadas em informação qualificada.

Miraglia ressalta que, mesmo em ambientes adversos, o empresário brasileiro demonstra capacidade de adaptação. “Com toda a volatilidade tributária e jurídica, o Brasil continua criando valor. Isso é fruto de resiliência e leitura estratégica”, aponta.

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