
Ideia de apoio escancarado ao alcaide veio do Núcleo de Comunicação Social e atingiu 10 mil servidores. Os “rebeldes” são ameaçados de “ir para a Caximba” ou “fiscalizar a varrição nas ruas e coleta de lixo”.
Há 20 dias uma forte patrulha começou a rondar os corredores da Prefeitura de Curitiba. Na base da pressão e na ameaça, a tenda digital de Rafael Greca obrigou que mais de 10 mil servidores, com cargos comissionados ou funções gratificadas, passassem a usar em suas redes sociais a logomarca e o número de campanha de reeleição de Greca. Por ordem do comando da campanha de Greca, quem esboçasse alguma resistência era avisado que deveria procurar outro emprego ou seria transferido para o Caximba ou, quem sabe, para a fiscalização da coleta de lixo e da varrição de rua. Um limbo, enfim, primícias de um trabalho “quase de condenado”

NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO
A ideia de impor este apoio escancarado a Greca veio do núcleo da Comunicação de Greca, com apoio do próprio prefeito, da secretária da Comunicação Social, Monica Santana, e do publicitário Pacheco, marqueteiro da campanha e também fornecedor das publicidades da Prefeitura. A ordem unida ganhou força em reunião com os coordenadores das eleições, Giovani Gionédis, Aranha Marrom e do secretário de Governo, Luiz Fernando Jamur.
OBEDIÊNCIA CANINA
Na cabeça dos íntimos de Greca, o grau de obediência deve ser canino, pois quem recebeu algum tipo de gratificação especial deve vestir a camisa e mostrar para a sociedade que é Greca. Um ouvinte da diabólica estratégia lembra que poucos sensatos tentaram argumentar contra a ordem. Lembraram que nenhum prefeito usou, de forma tão ostensiva, este tipo de abordagem.
“Bandeirada e entrega de material, já estamos acostumados a fazer a cada 2 anos. Mas vincular o prefeito à nossa cara é complicado”, exclamou um servidor, que fica no anonimato, a pedido. Ele até falou em denunciar a coerção a “alguma comissão de defesa dos direitos humanos”. Se isso acontecer, só estará apressando sua remoção pra a Caximba e assemelhados degredos .
OS DELATORES
Todos os dias, a Tenda Digital deixa um pequeno grupo de jovens a olhar e delatar quem não engaja nas ações coordenadas pela equipe do assessor especial, o preferido do alcaide, Lucas Navarro de Souza. Os delatores olham os stories do Facebook, Instagram e do twitter de 10 mil servidores. Há alguns funcionários que aderiram até o Tiktok, rede social prioritariamente de adolescentes.
PERDENDO A MÃO
No meio dessa enorme violência contra os direitos individuais dos funcionários, há aqueles que, por medo de ficar sem emprego, estão perdendo a mão. De qualquer forma, sabe-se que ameaças vêm também do outro lado: já há vários prints feitos pela oposição mostrando servidores trabalhando para a campanha durante o horário de expediente. A ideia é processar estes servidores e depois o Greca por uso da máquina. Isso só aumenta a angústia dos funcionários coagidos a fazer campanha de Greca: “Se ficar, o bicho come…”, diz uma comissionada inconformada com a “dupla ameaça”.
