
(Da Veja)
Governador do Ceará por três vezes e no final do segundo mandato como senador, Tasso Jereissati não se arrisca numa eleição para um cargo executivo desde 1999, quando foi escolhido nas urnas para comandar seu estado pela última vez. Passados sete anos na zona de conforto do Legislativo, onde as excelências podem escolher as batalhas que vão abraçar, o tucano conhecido pela voz baixa e pelo invejável saldo bancário (quase 400 milhões de reais em bens declarados) começou a se mover na direção do que deverá ser o maior desafio de sua vida pública: a disputa pela Presidência da República no ano que vem. Para tirar o plano do papel, falta convencer uma porção de gente, dentro e fora do seu partido, de que ele é o personagem ideal para unir as forças da centro-direita, liderando uma chapa capaz de chegar ao segundo turno e, o mais importante de tudo, amealhar votos suficientes para ultrapassar os favoritíssimos Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva. O próprio Jereissati ainda resiste a bater o martelo. Adianta que só o fará se tiver a certeza de que será competitivo. “Sei que seria um bom presidente, mas, antes, preciso saber se sou um bom candidato”, costuma dizer aos aliados.
Seu nome entrou no páreo de forma surpreendente nas últimas semanas, lançado pelo pernambucano Bruno Araújo, o presidente do PSDB. Inicialmente, nos bastidores, o movimento soou como uma espécie de tiro de alerta aos presidenciáveis tucanos mais afoitos. A entrada em cena do cacique mostraria que o partido não abre mão de um nome com potencial de caminhar para uma solução consensual, em vez de dar corda a uma disputa interna capaz de rachar a legenda e afugentar aliados de fora do ninho. Os já declarados postulantes do PSDB ao Palácio do Planalto são João Doria, governador de São Paulo (e inegavelmente o quadro mais forte da legenda hoje), e o jovem governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que tem no próprio senador cearense um dos seus principais aliados, além do azarão Arthur Virgílio, ex-senador e ex-prefeito de Manaus.
O que parecia um balão de ensaio com objetivo meramente apaziguador, no entanto, começou a ensaiar um voo mais alto. Definitivamente, Jereissati está no jogo. Logo nos primeiros movimentos, ele já angariou apoios importantes para a empreitada. O principal vem do maior nome do seu partido: Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente desce do muro ao responder quem considera mais preparado entre Jereissati e Doria, embora aponte credenciais e se diga amigo de ambos. “Eu prefiro o Tasso”, disse FHC a VEJA, sem rodeios. “Ele conhece mais o Brasil, é mais fácil de ser popular e de encarnar essa coisa de centro”, emendou o presidente de honra do PSDB. Mas o principal patrocinador do projeto Jereissati ocupa a cadeira mais importante do partido: Bruno Araújo. Oficialmente, ele evita a crise que se instalaria caso bradasse sua preferência, mas sonha em ver o colega nordestino como opção na urna.
