
Uma rara exceção na administração de municípios paranaenses é a de Pinhais, região Metropolitana de Curitiba, liderada pelo prefeito Professor Luizão (PT).
É eficiente, especialmente pelo olhar pronunciadamente pró projetos educacionais, o que até pode ser explicado pela formação profissional de Luizão, o magistério.
O prefeito é bom de voto (teve 92% de votos na sua eleição), sendo o campeão brasileiro na aceitação nas urnas.
Não conheço o prefeito. Sei que ele está acima e além dos estigmas que recaem sobre os políticos profissionais, e consegue passar faceiro sobre os anátemas que hoje recaem sobre o seu partido, o PT.
ACOLHIDA
A razão mais forte para esta profissão de admiração que faço ao prefeito está na forma acolhedora com que a Prefeitura de Pinhais recebeu, o trabalho da ONG “Ser Piá”: a instituição comandada e fundada por um grupo de abnegados, tendo à frente Hélio Cadore (ex-presidente do SEBRAE-PR), teve de deixar Curitiba, dadas as limitações burocráticas que passaram a enquadrá-la como organização voltada à saúde (quando, na verdade, é educacional e de saúde).
“Não conheço o prefeito Luizão. Sei que ele está acima e além dos estigmas que recaem sobre os políticos profissionais, e consegue passar faceiro sobre os anátemas que hoje recaem sobre o seu partido, o PT.”
A “Ser Piá” estava para ser fechada, não mais podia contar com convênios com a Fundação de Ação Social, da Prefeitura de Curitiba. E a natureza de seu trabalho é de um desafio enorme: atender crianças e adolescentes com problemas mentais, uma faixa de mazelas na qual poucos se aventuram a trabalhar.
UMA GRANDE FÉ
No caminho da “Ser Piá”, segundo Cadore, há sempre uma dose enorme de fé, ‘num ser (o Criador) que a tudo pode prover’. E assim, hoje, com um orçamento de R$ 500 mil/ano, a instituição atende, só em Pinhais, 144 crianças por semana (algumas delas são de Curitiba). A equipe da instituição é enxuta, 18 pessoas, apenas duas na área administrativa. Os demais profissionais – fisioterapeutas, psicólogos, brinquedistas, foniatras…
Uma rede de apoio de pessoas físicas – conquistada por amigos de Cadore – garante doações mensais à ONG. No passado, houve doadores de grande porte, como a Peróxidos do Brasil e a telefônica OI (hoje em dificuldades de caixa).
Da rede de amigos de Cadore, alguns são notáveis, como o médico Ricardo Ferreira, que dirige um serviço de ultrassonografia no Água Verde. Ele comparece com R$ 5.000,00. “O médico diz que quer devolver à sociedade parte dos bons resultados de sua empresa”, explica Cadore, com entonação de voz comovida.
CONDOMÍNIOS
Outro motivo de animação da “Ser Piá” é a perspectiva de o empresário e advogado Luiz Fernando de Queiroz (um notável filantropo) envolver parte dos 25 mil condomínios vinculados à sua empresa, no país, ao projeto de Cadore, com doação de R$ 5,00 por mês à instituição.
