
Em meio à barafunda política reinante, quando, por exemplo, os presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, continuam a dirigir as duas Casas – apesar de estarem sob investigação pelo MP -, é bom ouvir relato como o que segue, trazido à coluna por um advogado que sempre esteve à frente, na OAB-PR em grandes causas comunitárias. Conta ele:
Dias atrás, em Brasília, o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, em contato informal com Acir Breda, ex-chefe da Casa Civil do Paraná, indagou-lhe sobre Euclides Scalco, manifestando, ao mesmo tempo, grande apreço pelo ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso.
2 – INTRASNSIGENTE
Depois de muitas referências à reserva moral que Scalco representa na vida pública brasileira, Jobim lembrou a grande consideração que o ex-presidente FHC sempre manifesta sobre o gaúcho-paranaense. E recordou, em tom bem humorado, a “boa intransigência de Scalco” em assuntos públicos.
Recordou que certa vez, quando chefe da Casa Civil de Fernando Henrique, o presidente pediu-lhe que atendesse o embaixador de um país latino-americano, em seu lugar: “Esse homem é inconveniente, vem para se queixar de Scalco”, disse FHC.
Naqueles dias, Scalco dirigia a Itaipu Binacional.
3 – QUEIXAS PREVISTAS
Agendada por Jobim a audiência, ele recebeu o embaixador em nome do presidente da República. E não lhe surpreendeu o tom das reclamações apresentadas pelo diplomata: “O diretor da Itaipu só resolve as coisas estritamente dentro do regulamento”, queixou-se o embaixador.
Quer dizer: sempre agia como é de seu feito, sem fazer “arreglos”, em defesa do interesse público.
O Governo, no caso de Scalco, fez ouvido de mercador.
Jobim foi deputado Constituinte com Euclides Scalco, em 1988. São amigos.
