
Quem acompanha Rubens Campana, 32, como eu o faço desde que ele era criança – amigo que sou de seus pais, Fábio Campana e Denise Camargo -, o moço não surpreende.
Quietamente, por exemplo, enquanto aprendia os caminhos da edição de livros e revistas, com o pai, na Travessa dos Editores, de Curitiba, no começo dos 2000, Rubens registrava uma de suas mais fortes características: a discrição. Foi assim, sem que quase ninguém soubesse, que ele ia se revezando entre o trabalho e os estudos de pesados temas preparatórios para a carreira diplomática, e ainda com tempo para concluir faculdade.
Isso sem contar a “diletante” leitura que fazia continuadamente de temas literários e históricos.
RUBENS CAMPANA (2)
Eu mesmo, admirador confesso daquele menino de múltiplos talentos (assim como de sua irmã, Isabel) não o imaginava, por exemplo, amplamente fluente em língua inglesa. A verdade é que nunca foi de exibir culturas ornamentais nem de proclamar domínios de tantos códigos que a vida moderna exige.
Ontem, quinta, 17, enquanto refletia sobre a vida e obra de dois curitibanos especiais – Ney Regattiere do Nascimento, 95, e Veneverito Cunha, 100 – levados na semana pelo Anjo de Morte, também celebrava a vida de gente como Rubens Campana. E por um motivo importante não só para ele, seus familiares e seus amigos, mas especialmente para o Paraná: o jovem diplomata, nova geração da sempre renovada “carrière” do Itamaraty, via assinada portaria ministerial transferindo-o de Brasília para a Embaixada Brasil em Washington. O que não é pouco para quem tem apenas quatro anos na carreira gerada pelo Barão do Rio Branco.
Para muitos analistas, começar a carreira no chamado “circuito Elizabeth Arden”, é prêmio que cabe a poucos talentosos.
RUBENS CAMPANA (3)
Rubens tem se especializado “em tudo”, como me responde seu pai, o jornalista Fábio Campana, para explicar a “naturalidade” com que se acostumou nos últimos a saber da presença dos filhos em países os mais variados, em questão de horas:
– “Às vezes, apenas fico sabendo que ele está embarcando para Pequim, para atuar no grupo precursor da visita do presidente Temer; depois, recebo notícias dele do Japão, em nova missão, assim como se movimenta por outros continentes em missões próprias de seu perfil de secretário”.
Fábio Campana acredita que “a maior” ventura de Rubens, ele deve estar avaliando bem. É a de servir sob o comando do embaixador Sergio Amaral, uma das cabeças coroadas da diplomacia brasileira.
Com o olhar de jornalista treinado para dissecar o fato político, Fábio diz, com bom humor:
“Na verdade, invejo o Rubinho, que vai viver em Washington a oportunidade única de acompanhar o nascimento e desenvolvimento da era Trumph”.
