
Transferido para a o presídio da Papuda, em Brasília, o deputado paranaense Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), alcunha “Homem da Mala”, resistiu a uma das regras da cadeia: não quer que lhe raspem a cabeça.
Atendendo ao pedido dele, seu advogado entrou com recurso que será julgado pelo ministro do STF, Edson Fachin.
O QUE DIZ A PESQUISA
A exigência para raspar a cabeça não é um rito de humilhação, mas de higiene. Se Loures parece resistente à ideia deveria ser abastecido com um estudo de pesquisadores da Universidade de Pensilvânia (EUA), em 2012, que concluíram que “os carecas são vistos como mais dominantes, confiantes e masculinos do que os homens com cabelo. E até com mais liderança”. Isso não pode ser ruim para alguém, como Rocha Loures, cujo maior objetivo é conquistar eleitores e posar de mandachuva quando se trata de política. A política ordinária, por óbvio, alheia às malas de dinheiro.
POIS NA HORA DO APERTO
Mas se o peemedebista resiste a tal argumento e teima em preservar as melenas lisas que adornam sua cabeça, pense naquela marchinha carnavalesca que Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti compuseram, em 1942. Um trecho da letra diz assim: “Nós, nós os carecas. Com as mulheres somos maiorais. Pois na hora do aperto. É dos carecas que elas gostam mais”. Sim, há uma alusão sexual ao careca da letra. De perto, o desprovido de folículos capilares pode até insinuar um símbolo fálico que dispensa apresentação, mas essa é uma questão que não deveria ser decisiva para o ex-parlamentar. Ele tem preocupações maiores. Se pensar que, dispensando os cachos, pode se tornar igual entre os iguais e não uma referência de privilégio na cadeia, já ganha pontos preciosos. Além do mais, raspar a cabeça pode bem representar um recomeço. E se há alguém que precisa recomeçar, e rever seus conceitos, é o homem da mala.
