sábado, 21 fevereiro, 2026
HomeMemorialRM: a experiência curitibana de um ex-membro da Legião Estrangeira

RM: a experiência curitibana de um ex-membro da Legião Estrangeira

Um soldado da Legião Francesa. Bandeira da Legião
Um soldado da Legião Francesa. Bandeira da Legião

Ao lado de Maria Victória, 23, a mais jovem deputada da Assembleia Legislativa do Paraná, e de Michel Dohms, notável profissional da área de Tecnologia da Informação, de 35 anos, o espaço Nova Geração, a ser inaugurado no volume 7 de da minha coleção Vozes do Paraná contará com um personagem dono de surpreendente história aos 25 anos.

Trata-se de RM (por ora, será identificado apenas por suas iniciais), catarinense, ex-militante do MST (ao lado dos pais e irmão), que serviu ao Exército no Quartel General, no Pinheirinho.

Dono de espírito obstinado, com o segundo grau completo, mas sem falar uma palavra de francês, decidiu-se, aos 19 anos, que seria membro da Legião Estrangeira Francesa. No fundo, sempre foi encantado pelos filmes de aventuras centrados na Legião Estrangeira e sua fauna humana, cheia de bravos soldados.

2 – O SONHO DA LEGIÃO

RM vendeu o pouco que tinha, como uma moto, levantou as parcas poupanças, comprou uma passagem para a França, ida e volta, e se mandou para Paris.

Tinha apenas a cabeça cheia de histórias de heroísmo, fantásticas, envolvendo a presença dos legionários nos desertos da Argélia, no Afeganistão, na Guiana Francesa, etc.

Ao contrário de tantos outros legionários, RM tinha nome, sobrenome, endereço e uma biografia. Não se escondia da justiça (como é comum entre os legionários).

Dos 250 candidatos do mundo todo que se apresentaram com ele para teste, numa semana, num determinado dia de 2010, só 20 foram aprovados.

3 – NO AFEGANISTÃO

Ele se saiu muito bem em todos os exames, do físico aos que fez no período de aclimatação nas cercanias de Paris, por meses seguidos, onde Legião tem um alojamento. E depois, no deserto africano.

RM viveu a Legião plenamente: enfrentou batalhas no Afeganistão, em missões antiterror na África, em ações de resgates de soldados franceses e seus aliados em pontos do Oriente. RM nunca entra em detalhe sob suas ações, “para não ter problemas futuros”. Quer se resguardar, é claro.

4 – VOLTOU MADURO

Voltou há 2 meses a Curitiba, para apoiar a mãe, sozinha e adoentada.

Voltou absolutamente maduro, dominando o francês, especialmente, e com ampla noção de geopolítica que o equipara a um universitário de alto coturno.

Não diz quanto, mas deve – com certeza – ter trazido algumas economias materiais da grande experiência.

Mesmo assim, há uma semana começou a trabalhar como motorista de taxi:

“Estou tendo muitas boas experiências no taxi”, diz, lamentando que “poucos curitibanos falem francês”. Às vezes, mata saudade da língua de Molière falando com passageiros haitianos: “Mas quase todos eles só falam o creole…”

Leia Também

Leia Também