
Quando comecei a ler o livro “Ricardo Lunardelli, uma história a serviço da terra”, de Nilson Monteiro, esperava encontrar basicamente uma obra biográfica do homem que nos legou um dos melhores exemplos de dedicação ao “agrobusiness” no Paraná, a partir de sua Porecatu. Antes, marcara-se como inovador da terra em Catanduva, São Paulo.
O cafeicultor multifacetado foi bem-sucedido com outras culturas. As lavouras intercaladas foram outras de suas metas bem-sucedidas.
JÁ NOS ANOS 1950…
Mas a grande surpresa foi descobrir que esse homem, um apaixonado pela terra e as dádivas que ela entrega, sem formação acadêmica adequada, no começo dos anos 1950 já fazia uma pregação pioneira no país a favor de uma agricultura que utilizasse curvas de nível. Sua pregação era contra a erosão que levava anualmente 500 milhões de toneladas de terras do Brasil para fora do país.

SEM APOIO PÚBLICO…
Lunardelli, sem apoio do poder público, com a força de sua liderança, muitas vezes se manifestando sobre a urgência das curvas de nível, publicava opiniões em publicações nacionais (O Estadão) e internacionais (como a revista americana Hacienda).
Encontrou, felizmente, grandes seguidores no país, como senhores do baronato paulista do café, e entre paranaenses.
Não posso, no entanto, esconder minha ignorância agrícola: só depois do livro de Nilson – que recomendo a quem se interessa de fato pelo Paraná e sua história – fui examinar a questão das curvas de níveis. Claro que elas estão na história do homem há milhares de anos. Tailândia, Vietnam, o mundo dos Incas, são exemplos da adoção das curvas de nível.

… MAS SENDO CATEQUISTA
As curvas não foram invenção do brasileiro, mas Lunardelli teve o mérito de se antecipar a ações do poder público. E de ser um catequista da ideia que materializaria em suas fazendas.
Por muito tempo pensei que o ex-senador Osmar Dias tivesse sido “o pai das curvas de níveis” no Brasil. Embora, é certo, como secretário de Agricultura, no governo de Álvaro Dias, ele tivesse feito um bom trabalho, anos 1980.
NO GOVERNO CANET JR.
Por justiça – assim como lembro o pioneirismo de Ricardo Lunardelli – recordo, no entanto, que foi com Jayme Canet Junior, anos 1970s, diante da imensidão de terra fértil escoando com as águas para o Rio Paraná (calculava-se em 700 milhões de toneladas na época), que as curvas de nível se implantaram como política de Governo.

E nesse particular, a história registra o nome de José Guilherme Cavagnari, como “sacerdote” dessa “religião” que implantou as curvas de nível aqui. Para isso foram vitais o trabalho do IAPAR, a Café do Paraná e a Acarpa/Emater. Eles foram os salvadores do Noroeste do Paraná, evitando que a região formada pelo arenito do Caiuá fosse devastada.
Louvores a todos eles, pois. Especialmente ao visionário Lunardelli que Nilson Monteiro revela na sua grandeza de empresário, pioneiro e apaixonado pela terra.
